As dificuldades que um cadeirante enfrenta são inúmeras, entre elas a indiferença por parte de muitos. Infelizmente vivenciam-se episódios que comprovam o quanto as pessoas priorizam seus próprios interesses. Em meio a tal descaso, há quem demonstre respeito e empatia. Na cidade de Pelotas, especificamente no bairro Santa Terezinha, localiza-se o Centro de Atividades Físicas Supera. O espaço vem desenvolvendo a base de esforço e apoio, uma relação de cuidado e atenção com o público cadeirante.
Uma das iniciativas é voltada para a ideia de acompanhamento médico gratuito para os alunos. Embora paguem pelo tratamento de atividade física funcional, dispõem gratuitamente de um profissional da saúde competente e completamente equipado para auxiliá-los na alimentação.
Antes de abrir o espaço, hoje localizado na rua Santa Clara nº 343, Santa Terezinha – Pelotas, o professor Nevton Pierre atendia seus alunos cadeirantes em casa. Maria Quitéria, já citada, fala sobre sua experiência: "Lá me sinto à vontade, recebendo todo carinho e apreço da parte de meu professor e outros profissionais. Meu instrutor fez seis meses de exercício em minha própria casa. Havia muitos movimentos que antes não conseguia fazer, hoje consigo. Estou há um ano e onze meses no Centro e continuo progredindo."
A sensação de ser incluído e considerado prioridade é gratificante para os alunos. Esta experiência faz toda diferença. Matheus Leal de 22 anos, que frequenta o espaço a quase um ano, destaca: "A inclusão vai desde as adaptações que lá são feitas para que o cadeirante tenha qualidade nas atividades ao respeito que o professor mostra as minhas vontades. O interesse pelo aluno é claramente visto quando fazemos aulas ao ar livre e conversamos sobre meus pensamentos e minhas intenções. A inclusão e preocupação são realmente notórias."
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PROPOSTA visa “driblar os obstáculos” presentes no dia a dia[/caption]Os motivos dessa iniciativa? Nevton Pierre Silva de 45 anos, proprietário do centro, responde: "Cresci ouvindo meus pais dizendo quão importante era o respeito a todas as pessoas. Porém, crescemos e nos deparamos com a realidade. As coisas não funcionam de acordo com os ensinamentos que nos foram passados. Mesmo assim lembro do juramento profissional que fiz e com base nisso faço o melhor. O que espero de tudo isso é passar valores, amor, solidariedade e desde já fazer com que essas pessoas tenham vez e voz por onde quer que passem."
Embora ainda haja displicência à inclusão, há expectativa. Tornar o impossível não tão impossível é algo admirável. Sensações antes desconhecidas ou perdidas devido à deficiência, agora se tornam verdadeiras. O que antes parecia abstrato, se torna real. O empenho leva à emoção, que gera esperança de fazer valer a pena.