Diário da Manhã

domingo, 17 de novembro de 2019

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DANDÔ CIRCUITO DE MÚSICA : Som “Elemental”do mineiro Erick Castanho

24 junho
17:35 2016

Nesta sexta às 20h na Casa do Trabalhador – rua Santa Cruz 2.454 -, cantoria com o violeiro mineiro Erick Castanho. Ingresso: R$10,00

Por Carlos Cogoy

Orquestra Natural, O Rastro do Fogo e Natureza em Aquarela. Composições do violeiro e cantador Erick Castanho, em parceria com o pai Aldo França. As músicas integram o repertório do artista que, nesta sexta às 20h apresentará o show “Elemental” – disco de estreia -, em Pelotas. Participando do projeto de cultura popular “Dandô Circuito de Música Dércio Marques”, Erick será recepcionado pelo “bluesman” Mateus Brod que, na harmônica, interpretará repertório regional. A realização é do grupo “Tril#os” com apoiadores: ECO restaurante e café; Sindicato da Alimentação; ADUFPel; Sindicato dos Metalúrgicos; Sindicato dos Bancários e Rádio Com 104.5. Apresentação na Casa do Trabalhador com ingresso a R$10,00. Amanhã, Erick estará às 21h em Pedro Osório, e a apresentação acontecerá no auditório da Escola Municipal Getúlio Vargas – bairro Jayme Pons. Como anfitriões do “Dandô” na cidade vizinha, músicos Milton Vaghetti e Juliano Tavares. Apoio da Prefeitura de Pedro Osório.

MINEIRIDADE – Erick Guimarães França, artisticamente “Erick Castanho”, é natural de Ituiutaba, mas reside em Uberlândia.  Ele menciona: “Cresci sob a influência musical do meu pai Aldo França, que escutava os discos de Elomar, Dércio Marques, Milton Nascimento, Almir Sater, Xangai, Renato Teixeira, Pena Branca & Xavantinho, Geraldo Azevedo, Pereira da Viola, Vital Farias. Comecei tocando violão aos doze anos, época em que minha família participava das serestas mineiras. Junto com meu irmão e meus pais, desenvolvi minhas habilidades instrumentais neste grupo de serenatas. Ouvindo e aprendendo nessa convivência, aprendi a tocar outros instrumentos como a viola, cavaquinho, percussão. Sempre baseado na observação e nas vivências. Apesar de sempre ter em casa discos dos artistas citados, na adolescência também entrei no mundo do blues e do rock. Nas bandas pude aprender a tocar e compor na guitarra, baixo e bateria. Porém a ‘mineiridade’ surgiu naturalmente, acompanhando os artistas mineiros que meu pai escutava e que representavam tão bem a nossa terra e nossos costumes. Principalmente os queridos Pena Branca & Xavantinho, que são também do triângulo mineiro. Além disso, também o repertório das músicas de domínio público que permeiam nosso cotidiano nas Gerais. Esse trabalho regional e folclórico vem sendo moldado há muitos anos dentro de minha formação musical. Mas a carreira solo, como Erick Castanho ganhou força apenas em 2010, quando comecei a participar dos festivais, principalmente dos universitários”.

APRENDIZADO – Erick salienta a integração cultural: “Para essa apresentação, a proposta é levar comigo a viola de porongo, feita pelo amigo Levi Ramiro. Então será legitimamente a cantoria de um violeiro. As temáticas que carrego são ligadas à natureza e valores humanos e históricos, encontrados nos festejos populares. A cantoria que faço, tem como foco a conscientização de que os valores culturais e nosso meio ambiente, ainda mais o cerrado brasileiro, estão ameaçados pelo esquecimento caso a classe artística não se empenhe em levar isso adiante. Esse é o mote do circuito Dandô, a disseminação das culturas populares e a popularização de músicas que não frequentam as grandes mídias. Além dessa finalidade, o Dandô também cumpre o papel de unir a cultura brasileira em todas as suas regiões. E isso acontece através do intercâmbio e encontro desses mediadores e cantores. A experiência que tive no Rio Grande do Sul foi enriquecedora, e serve também para assimilação de tradições que não tenho contato, mostrando-se um grande aprendizado não só musical, mas cultural em sua abordagem mais ampla. Além de ser também uma oportunidade de reencontrar amigos queridos, e conhecer figuras emblemáticas na luta pela conservação da cultura, como por exemplo o Santana de Pedro Osório e tantos outros”.

Erick desenvolve trabalho autoral há seis anos

Erick desenvolve trabalho autoral há seis anos

Cantoria de abraçar para “EmCantar”

Em 2007 Erick Castanho foi agraciado com diploma na Câmara de Vereadores de Uberlândia. Numa iniciativa do vereador Felipe Attiê, que reconheceu o trabalho de resgate da cultura regional mineira, o músico recebeu diploma alusivo à contribuição com a arte de Uberlândia. Entre as premiações, seu trabalho autoral destacou-se no Festival de Música Candanga da Universidade de Brasília (FINCA/UnB), edições 2011 e 2012.

Em 2013 ele coordenou o projeto “Cantoria de Abraçar” que, realizado mensalmente, proporcionou a apresentação de artistas como: Katya Teixeira; Antônio Galba; Pedro Antônio; Luiz Salgado; Chico Teixeira; Karine Telles; Sarah Abreu e Trem das Gerais. Para crianças, Erick ministrou oficinas no projeto “EmCantar”.

Durante treze anos atuou como violonista, violeiro e arranjador do grupo de seresta “Cotovias ao luar”. Na coordenação do grupo, participação em eventos como a Seresta na Casa da Cultura, Caminhada Seresteira, Seresta no Parque.

Músico com formação diversificada, participou como baterista, percussionista, guitarrista e vocalista, em grupos desde o “Pop rock” até bossa nova. Como baixista, show “Cânticos, um tributo a Cecília Meireles”. Arranjador e diretor artístico dos shows: “Lua e Flor”; “CitAções”; “Músicas de Nossa Terra” e “Cantos e Contos Seresteiros”. Nos espetáculos “Vozes no Vento” (2012) e “Cânticos de Uma Primavera” (2011), esteve à frente da direção artística. Em 2009, dividiu a direção do show “Músicas de Nossa Terra”.

Disco “Elemental”

Em dezembro Erick lançou o primeiro disco “Elemental”. No CD, mais de trinta artistas convidados, tanto brasileiros de diferentes regiões, quanto representantes do Uruguai e Peru. O álbum já foi lançado em Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

SONORIDADE – Sobre o disco ele acrescenta: “Reuni músicas de anos de intensa vivência artística, participando de festivais autorais, apresentações públicas, projetos de circulação, festas e folias do povo, aprendendo e ensinando sobre as temáticas das tradições populares. É possível encontrar em ‘Elemental’ ecos da música raiz, dos folclores medievais e andinos, das reminiscências indígenas e africanas e de todas essas influências assimiladas durante esses anos de estradar”. Na internet: erickcastanho.com.br

Projeto “Dandô”

Em homenagem ao cantador e violeiro mineiro Dércio Marques (1947/2012), há quatro anos está em atividade o Circuito de Música que o homenageia. Idealizado pela compositora e cantora Katya Teixeira, o projeto está consagrado como valorização da arte enraizada na identidade brasileira. Em 2014, o “Dandô” conquistou o primeiro lugar do prêmio Brasil Criativo, categoria música, do Ministério da Cultura (MinC). Erick integra o projeto desde 2013.

O músico acrescenta: “O Dandô é um dos principais projetos de disseminação da cultura regional no País. Sem ele, provavelmente não teria acesso a tantos artistas diferentes e talentosos como tenho encontrado. O projeto tem a característica de ser vantajoso para o artista que circula e forma novas plateias para o seu trabalho, bem como para o artista local que se fortalece formando público cativo e conhecendo artistas de outras regiões. Ainda é possível criar uma proximidade com o seu público através do contato direto ao fim das apresentações. Tenho muito orgulho e alegria de poder participar de um projeto tão belo e importante para a cultura brasileira. E tenho aprendido muito com toda essa vivência, que reúne tanta gente boa e talentosa”.

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