Diário da Manhã

sábado, 21 de outubro de 2017

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Prédio abandonado na zona do Porto é ocupado

Prédio abandonado na zona do Porto é ocupado
19 março
11:57 2017

Integrantes de movimento nacional pedem moradia

Ocupação05Na última sexta-feira (17), um grupo ligado ao Movimento Nacional de Luta Pela Moradia ocupou um prédio particular, localizado na rua Benjamin Constant, esquina com a rua Álvaro Chaves, na zona do Porto de Pelotas. O local está abandonado, desde que o proprietário o adquiriu em leilão da Marinha do Brasil, há cerca de sete anos. Cerca de 20 estudantes da UFPel, em situação de vulnerabilidade, e pessoas ligadas ao MNLM, mantém uma rotina de ocupação, limpeza e estruturação do imóvel para que ele possa atender às necessidades de moradia do grupo. “Teremos espaços para acolhimento de pessoas de rua, que desejarem um lugar para morar”, diz um dos líderes do Movimento.

Restos de assaltos são encontrados aos montes nos escombros

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Outra integrante, já que o grupo é composto por homens e mulheres, afirma que o local não tem destinação e estava servindo à especulação imobiliária e também como área de risco. “Retiramos uma tonelada de lixo daqui, tinha muita bolsa, mochila, capa de celular, o que indica ser local de descarte para assaltantes. A população ganha com nossa iniciativa”, diz a estudante. Eles também pretendem criar um espaço para ações culturais de oficinas e debates. A tentativa de tornar o prédio um local de moradia ou espaço de uso comunitário já aconteceu outras vezes. O imóvel havia sido ocupado em 2016 e em outras oportunidades, desde a sua venda em leilão. Em todas as vezes, o proprietário ingressou com ação de reintegração de posse e a Justiça concedeu. As condições são precárias. Depois de uma limpeza parcial no andar térreo, foi possível instalar quartos, com colchões e barracas. Os banheiros funcionam de maneira improvisada. Na cozinha, uma panela de pressão sobre um fogão doado, espalha o cheiro do feijão. No andar de cima ainda há muito entulho e sujeira. “O teto e o telhado parece que foram abertos de propósito para que a estrutura entre em colapso”, diz um dos ocupantes. “Esperamos que os ‘Poderes’ (Executivo e Judiciário) entendam que o imóvel segue abandonado e se tornou um ponto de consumo de drogas e esconderijo para marginais, além de possível foco de doenças. A sociedade precisa ver que o nosso movimento é composto por estudantes e trabalhadores e que pretendemos transformar o local, com mais segurança, mais limpeza e destinação social adequada”, observa um dos líderes do grupo.

Na cozinha improvisada, a pouca comida é dividida entre todos

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A ocupação já ganha aspecto de moradia, quartos e peças do imóvel aparentam ser lar para alguns. Uma cozinha improvisada e uma sala para reuniões também indicam que o local pode sim, vir a se tornar a casa que muitos esperam. “As pessoas que tiverem interesse em ajudar podem fazer doação de todos os tipos, estamos precisando de tudo: roupas, colchões, cobertores, alimentos…”, finaliza a estudante do Instituto de Ciências Humanas da UFPel.

Texto e fotos: Hélio Freitag Jr.

Dormitório improvisado traz um mínimo de dignidade a quem não tem um teto

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