Tsunami meteorológico registrado na Argentina oferece risco ao litoral brasileiro?
Praia do Cassino já registrou episódios de tsunami meteorológico
Uma enorme onda associada a um tsunami meteorológico atingiu praias da costa da província de Buenos Aires, na tarde de segunda-feira (12), provocando uma morte e deixando ao menos 35 feridos. O fenômeno surpreendeu turistas, moradores e equipes de resgate em um período de grande movimento no litoral argentino e foi registrado em praias de Mar del Plata, Santa Clara del Mar e Mar Chiquita, quando o nível do mar apresentou uma oscilação abrupta em poucos minutos, com um recuo significativo da água que expôs uma ampla faixa de areia, seguido por um avanço intenso do mar sobre a costa.
O fenômeno foi classificado como um meteotsunami, provocado por rápidas mudanças nas condições atmosféricas associadas à passagem de uma frente fria, após um dia de calor intenso, com temperaturas próximas de 40 °C. Eventos semelhantes já foram registrados historicamente na região, como em 1954, quando ondas de grande intensidade avançaram de forma inesperada sobre a costa.
Não há risco de o tsunami meteorológico registrado na Argentina atingir o litoral do Brasil, já que se trata de um fenômeno localizado e de curta duração, diferente dos tsunamis de origem sísmica, nos quais as ondas geradas por abalos podem se propagar por longas distâncias através do oceano.
Tsunamis meteorológicos no Brasil
Apesar de raros, há registros de tsunamis meteorológicos no Brasil. Entre 2009 e 2024, eventos foram observados nos litorais do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Na Praia do Cassino, em Rio Grande, o fenômeno ocorreu em 2014 e voltou a ser registrado em 2020 e 2021. Os casos mais recentes foram em 2023, em Laguna (SC), e em 2024, em Jaguaruna (SC). Na maioria das ocorrências, houve estragos em residências próximas à praia e em veículos que estavam na areia.

Veículos arrastados pela força das ondas na Praia do Cassino, em tsunami meteorológico, em 2020.







