Exposição de pinturas e colagens é apresentada na UFPel
As obras integram a pesquisa em poéticas visuais desenvolvida em Trabalhos de Conclusão de Curso, que estão em fase de conclusão, sob orientação da professora Eduarda (Duda) Gonçalves
Nesta quinta-feira (05) às 17h inicia a exposição “Aqui, no Sul, os azuis, roxos e cinzas também”, das artistas Eduarda Franco e Mariana Silveira. Ambas são estudantes do curso de Bacharelado em Artes Visuais, do Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Os trabalhos, que envolvem técnicas de pintura e colagem, podem ser apreciados no Espaço Leme, que fica no prédio do Instituto de Filosofia, Sociologia e Política (IFISP/UFPel), na rua Coronel Alberto Rosa, 154. O período de visitação vai até 12 de fevereiro.
As obras integram a pesquisa em poéticas visuais desenvolvida em Trabalhos de Conclusão de Curso, que estão em fase de conclusão, sob orientação da professora Eduarda (Duda) Gonçalves, responsável pela curadoria da mostra, junto ao estudante João Sodré, bolsista de iniciação científica CNPQ/UFPel. As estudantes desenvolvem suas investigações junto ao Grupo de Pesquisa Deslocamentos, Observâncias e Cartografias Contemporâneas – DESLOCC (CNPq/UFPel), sob liderança da professora.
Eduarda Franco representa os céus de sua cidade natal, Arroio Grande, perpassado por linhas do horizonte urbano – janelas/fios/telhados, assim como os céus de Pelotas, contexto em que passa a viver ao ingressar na UFPel e que se soma aos seus imaginários celestes. Ela desenvolve sua produção por meio da pintura e da fotografia, atentando às mudanças temporais e as transformações infinitas, e incita a perceber a abóbada indefinida e afetiva dos territórios sulinos.
Mariana Silveira revela a paisagem do Sul-Sul, assim como Eduarda Franco, mas sobre os relevos de Canguçu e a quietude plana na orla da Colônia Z-3. A artista se desloca por regiões distintas para recriá-las a partir de uma memória experiencial cromática e por meio da colagem de papéis, em formas simples e algumas diminutivas. Atualmente, Mariana reinventa, com sobreposições de tecidos, a neblina sublime que avistou numa manhã em que se deslocava na beira da Lagoa dos Patos pelotense, quando pôde vislumbrar um véu atmosférico que velou e desvelou tudo que estava diante de seu olhar.
O título da exposição foi retirado de uma oração do poema “Campo, Chinês e Sonho”, de Carlos Drummond de Andrade, dedicado a João Cabral de Mello Neto, em que é desvelada ao leitor uma vista campesina surpreendente, pois a terra se parece com um chinês de suave rosto inclinado, que dorme e murmura no mundo, na terra, nos campos e em seus elementos, em tudo que é possível avistar e sentir: seres dormindo, estrelas latejantes, azuis e roxos, linguagens indecifráveis, sono, confidências.
“Nas paisagens de Eduarda e Mariana também encontramos este outro modo de olhar e fazer durar na matéria do mundo e da arte, na paisagem do Sul do Brasil, e que só as artistas (o poeta) (des)cobre e nos faz ver, aquilo que se oculta e é imaterial ou invisível a quem não atenta às possibilidades poéticas do vivido”, destaca a orientadora.







