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Caravelas-portuguesas e águas-vivas provocam centenas de atendimentos na Praia do Cassino

Caravelas-portuguesas e águas-vivas provocam centenas de atendimentos na Praia do Cassino
03 fevereiro
20:53 2026

Aumento de águas-vivas e caravelas-portuguesas no auge do verão provoca centenas de atendimentos e reforça cuidados e orientações de tratamento aos banhistas.

A presença de caravelas-portuguesas e águas-vivas na Praia do Cassino mobilizou equipes de guarda-vidas e chamou a atenção de banhistas durante o feriado de Nossa Senhora dos Navegantes, na segunda-feira (2). Somente neste dia, foram realizados mais de 500 atendimentos por queimaduras, incluindo casos que exigiram remoções para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Cassino.

Ao longo dos últimos dias, centenas de acidentes envolvendo águas-vivas foram registrados no balneário. O fenômeno é recorrente no auge do verão e está relacionado às condições ambientais que favorecem a proliferação desses animais na região sul do Brasil.

O que são águas-vivas?

Conhecidas popularmente como mães-d’água, as águas-vivas são animais do grupo dos cnidários, com formato semelhante a um guarda-chuva ou prato. O corpo é transparente e composto por cerca de 95% de água. Existem mais de duas mil espécies conhecidas, sendo a maioria pequena e inofensiva. No entanto, cerca de 70 espécies são maiores e peçonhentas, responsáveis pelas chamadas “queimaduras” na pele.

Apesar do nome popular, não se trata de queimadura, mas da ação de toxinas. Ao tocar o animal, microcápsulas chamadas nematocistos disparam pequenos arpões venenosos que penetram na pele e injetam toxinas, causando dor imediata e lesões.

A principal espécie envolvida

Entre as espécies mais comuns está a Olindias sambaquiensis, considerada a principal causadora de acidentes no Rio Grande do Sul. A água-viva ocorre em grande abundância durante o verão e provoca intoxicações moderadas, deixando marcas vermelhas dolorosas na pele. Casos de complicações mais graves, como reações alérgicas, são raros.

A espécie possui até 10 centímetros de diâmetro, inúmeros tentáculos finos de coloração alaranjada ou lilás e apresenta gônadas alaranjadas em formato de “X” no centro do corpo.

Espécie Olindias sambaquiensis

Alerta para caravelas-portuguesas

Além das águas-vivas, os guarda-vidas alertam para o aumento da presença da caravela-portuguesa (Physalia physalis) no Balneário Cassino. Os acidentes com esse animal são considerados mais graves.

A caravela-portuguesa não é uma água-viva, embora pertença ao mesmo grupo dos cnidários. Trata-se de uma colônia de organismos, com um flutuador roxo-azulado que pode chegar a 20 centímetros, enquanto seus tentáculos podem ultrapassar 30 metros de comprimento. As intoxicações podem ser graves.

Mais comum nas regiões Nordeste e Sudeste do Brasil, a espécie também pode aparecer no litoral gaúcho durante o verão, especialmente em episódios de encalhes massivos. Mesmo mortas, as caravelas ainda oferecem risco, pois seus tentáculos continuam liberando toxinas.

O contato pode causar desde vermelhidão e coceira até queimaduras profundas e, em casos raros, pode levar à morte.

Caravela-portuguesa (Physalia physalis)

O que fazer em caso de acidente

Em caso de contato com águas-vivas ou caravelas-portuguesas, a orientação é:

  • Sair imediatamente do mar;

  • Lavar o local com água do mar, para remover tentáculos aderidos;

  • Não esfregar a região com toalhas, areia ou outros objetos;

  • Aplicar vinagre por alguns minutos para ajudar a desativar os nematocistos;

  • Para aliviar a dor, utilizar água do mar gelada ou gelo artificial envolto em pano (nunca diretamente na pele);

  • Não usar água doce, urina ou gelo direto.

Se a vítima apresentar sintomas como dificuldade para respirar, chiado no peito, inchaço, desorientação ou perda de consciência, pode estar ocorrendo uma reação alérgica grave. Nestes casos, é fundamental acionar imediatamente o Samu (192) ou o Corpo de Bombeiros (193).

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