SindisprevRS denuncia “maquiagem” na fila do INSS e aumento de benefícios negados sem justificativa
O Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência do Estado do Rio Grande do Sul (SindisprevRS) vem a público questionar a suposta “mágica” na redução das filas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Dados recentes, divulgados pelo INSS, apontam uma queda de 500 mil processos em apenas dois meses. No entanto, o sindicato alerta que o esvaziamento da fila ocorre às custas de um volume alarmante de indeferimentos automáticos e sem justificativa plausível.
Sem a contratação de novos servidores e convivendo com sistemas operacionais frequentemente instáveis, a explicação para a velocidade na análise reside na automação desenfreada do órgão. Nas redes sociais do próprio INSS, centenas de segurados e seguradas relatam que tiveram seus benefícios negados sumariamente, sem uma análise humana detalhada.
Para agravar o cenário, uma portaria (Instrução Normativa PRES/INSS nº 128 – artigo 576 A) recente determina que, após ter o benefício negado, o cidadão é obrigado a aguardar um prazo de 30 dias para realizar um novo pedido.
“Estamos falando de um mês inteiro em que o trabalhador fica sem os recursos necessários para a sua sobrevivência básica. Reduzir a fila rejeitando direitos não é eficiência, é crueldade”, afirma a direção do SindisprevRS.
O sindicato avalia que a pressa em apresentar resultados serve para mascarar a crise institucional e “apagar incêndios” em pleno ano eleitoral, transferindo o prejuízo diretamente para as parcelas mais vulneráveis da população.
O SindisprevRS reitera que há anos denuncia o colapso estrutural do INSS. Entre os principais problemas enfrentados pela categoria e pelos usuários estão:
1. Sucateamento das agências físicas em todo o país;
2. Instabilidade crônica e deficiência dos sistemas operacionais;
3. Grave déficit de servidores públicos;
4. Modelo de gestão focado em metas numéricas, que prioriza a quantidade de processos fechados em detrimento da qualidade do atendimento e do direito dos segurados.
O sindicato reforça a necessidade urgente de investimentos reais na estrutura do órgão e na valorização da carreira dos servidores, para que o INSS volte a cumprir sua missão constitucional de proteção social, e não de exclusão de direitos.






