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Alunas da rede municipal de Pelotas querem ajudar idosos a usarem seus medicamentos

Alunas da rede municipal de Pelotas querem ajudar idosos a usarem seus medicamentos
29 junho
08:25 2026

Meninas projetaram dispositivo com assistente inteligente, que emite alertas sonoros e facilita o acesso às doses diárias. Sara Machado, Anthonela Xavier e Marina Costa ao lado do professor Cleber Vaz Gomes e o diretor Sérgio Costa da Rosa

As aulas de robótica educacional fazem parte da rotina de 16 escolas da Rede Municipal de Ensino, entre ela, a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Nossa Senhora de Lourdes, onde desde o começo do ano um protótipo tem sido desenvolvido. Ele surge a partir do projeto “Robô Lembrete/Dispensador de Medicamentos para Idosos”, desenvolvido pelas estudantes do nono ano Sara Machado, Anthonela Xavier e Marina Costa.

O objetivo do projeto é facilitar o uso de medicamentos por pacientes idosos. O dispositivo possui uma gaveta, um visor e um botão auxiliar, e funciona como um assistente inteligente, emitindo alertas sonoros e facilitando o acesso às doses nos horários programados. O protótipo será apresentado no evento Robopel 214, que será realizado em julho.  A iniciativa integra as ações de robótica educacional desenvolvidas na Rede Municipal de Ensino e acompanhadas pelo Centro Tecnológico Educacional de Pelotas (Cetep), da Secretaria de Educação (SME), responsável pelas ações de Educação Digital.

A ideia surgiu com Sara Machado, durante as férias de verão. Ela e as colegas já participavam das aulas há um ano. “Tivemos o desafio de pensar em um projeto nas férias para fazermos no ano seguinte. Procurei e encontrei uma ideia parecida com a do projeto e achei muito legal. Queria poder fazer algo que ajudasse as pessoas”, explica. Juntas, elas desenvolveram o projeto ao longo do primeiro semestre deste ano. “Esse processo foi um pouquinho complicado para mim, principalmente a parte da eletrônica e programação. E aí, quando eu tentava finalizar, dava um erro diferente. Aí tive que ter muita força para não desistir do projeto”, conta Anthonela, que completa, “acabei pesquisando algumas coisas, como funcionavam alguns componentes e o código. Então fluiu e saiu este resultado”.

O projeto é coordenado pelo professor Cleber Vaz Gomes, que orienta seus estudantes no Laboratório Maker, com a ajuda de bolsas de incentivo do Programa Mais Ciência na Escola, uma iniciativa do governo federal em parceria ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Gomes diz que seu papel nas aulas é o de mediar os projetos e sua viabilização. Em 2025, sob sua coordenação, os alunos da Emef Nossa Senhora de Lourdes se destacaram no RoboPel, ao apresentar um projeto de sistema de controle doméstico para cadeirantes. “O projeto segue a mesma linha de função social e acessibilidade que o do ano passado, então resolvi colocar o foco nele’’, conta o professor, “minha influência foi tentar ajudar as meninas a simplificar o protótipo. O protótipo prova o ponto. Quem abre uma gaveta, abre duas, três, quatro, e quem liga um LED, liga uma lâmpada. Então, se o protótipo funcionar em todos os sentidos, ele não precisa ter o aspecto e a funcionalidade de um produto pronto. Estou feliz e orgulhoso por elas”.

O sentimento do professor é compartilhado pelo diretor da escola, Sérgio Costa da Rosa, “é só orgulho estar à frente de uma escola que tem essas estudantes com ideias brilhantes. Como gestor, acho que não se pode fazer nada menos do que apoiar a iniciativa. Nem sempre podemos oferecer tudo que elas merecem para continuar o desenvolvimento dos projetos”, pontua ele, “meninas com essa idade, numa escola pública de periferia, trabalhando num projeto desse porte, é algo difícil de acontecer”, conclui.

 

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