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Projeto vai mapear detentores da tradição doceira de Pelotas e Antiga Pelotas

Projeto vai mapear detentores da tradição doceira de Pelotas e Antiga Pelotas
21 agosto
08:49 2026

Comunidade pode indicar pessoas que mantêm viva a tradição por meio da prática; saiba como

O projeto “Produção, Reprodução Cultural, Valorização, Difusão e Fomento da Tradição Doceira de Pelotas e Antiga Pelotas” do Museu do Doce, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), está mapeando detentores do saber-fazer doceiro de Pelotas e Antiga Pelotas (RS) — que reúne os municípios de Capão do Leão, Arroio do Padre, Turuçu e Morro Redondo. A comunidade é chamada a participar e indicar possíveis detentores a partir de comentários em post no Instagram ou envio de e-mail para tradicaodoceira@gmail.com.

A iniciativa é financiada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do edital do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI) de 2023. Sua execução prevê a realização de oficinas do saber doceiro, o mapeamento e o registro de detentoras e detentores, além de ações educativas e de difusão voltadas ao fortalecimento e à transmissão desse patrimônio cultural.

Quem pode ser indicado

Segundo o Museu do Doce, um detentor do saber-fazer doceiro é quem mantém viva a tradição por meio da prática. Podem fazer parte do mapeamento:

  • Doceiras e doceiros que aprenderam o ofício com a família;
  • Agricultores que cultivam frutas e também produzem doces;
  • Agroindústrias familiares que mantêm modos de fazer tradicionais;
  • Produtores artesanais que preservam receitas e técnicas transmitidas entre gerações;
  • Pessoas que aprenderam a fazer doces com mães, avós, tias ou outros familiares e continuam praticando esse conhecimento.

Por quê mapear agora?

A ação faz parte de um movimento mais amplo de retomada do diálogo entre o Iphan e a comunidade detentora da tradição doceira, reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil em 2018. Segundo a superintendência do Iphan no Rio Grande do Sul, o Instituto está em processo de construção, junto à doceiras e doceiros, de um plano de salvaguarda que contemple as diferentes vertentes identificadas no registro: os doces finos, os doces coloniais de frutas e os doces religiosos produzidos pelas casas de religião de matriz africana.

O mapeamento é um passo importante desse objetivo pois atualiza informações sobre quem hoje produz e transmite esses saberes na região, essencial também para a revalidação do bem, prevista para 2028.

Como participar – A participação da comunidade é fundamental para que o mapeamento represente a diversidade de saberes, pessoas e territórios que compõem a tradição doceira da região. A indicação pode ser feita das seguintes formas:

  • Comentar na publicação do Museu do Doce no Instagram (@museudodoce), marcando quem deseja indicar;
  • Enviar um e-mail para a equipe do projeto, indicando um detentor do saber-fazer doceiro: tradicaodoceira@gmail.com.

Cronograma do projeto

O trabalho está dividido em quatro etapas, começando pelas oficinas do saber-fazer doceiro, que terá duração de 12 meses a partir de agosto. Elas serão ministradas pelas próprias doceiras e doceiros para públicos como estudantes, comunidades quilombolas e locais ligados a religiões de matriz africana, com o objetivo de transmitir o ofício às novas gerações.

Paralelamente, ocorre o mapeamento dos detentores, de junho a 8 de outubro. Em novembro, os dados coletados serão organizados e publicados no site do Museu do Doce, com previsão de divulgação de imagens, textos e vídeos sobre a tradição em um aplicativo.

Além disso, como parte da terceira etapa, as informações obtidas serão usadas para a concepção de uma nova exposição, com início em novembro de 2026. Por fim, em fevereiro de 2027, começam as ações educativas que vão até o fim do projeto, levando atividades a escolas, quilombos e ao Museu do Doce nos cinco municípios da Antiga Pelotas.

 

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