Mapa da Violência aponta queda de homicídios, roubos e furtos na Zona Sul do RS
Levantamento da UCPel reúne registros de 29 municípios e mostra mudanças no perfil da criminalidade entre 2022 e 2025
A violência registrada na Zona Sul do Rio Grande do Sul apresentou mudanças importantes nos últimos anos, com redução de crimes como homicídio, roubo e furto, mas também com a permanência de indicadores que exigem atenção, especialmente aqueles relacionados à violência contra as mulheres. É o que aponta a edição 2026 do Mapa da Violência da Zona Sul, elaborado pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel) a partir de dados da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP/RS).
O levantamento atualiza a série histórica de 29 municípios, abrangendo os integrantes do COREDE Sul, parte do COREDE Campanha e ainda Cristal, do COREDE Centro-Sul, e Encruzilhada do Sul, do COREDE Vale do Rio Pardo. A edição incorpora os registros de 2025 e permite comparar os indicadores dos quatro anos completos do período de 2022 a 2025.
Elaborado pelo Laboratório Social de Administração da Justiça, Conflitos e Tecnologia (LSd/UCPel), por meio do Grupo de Pesquisa Arena Sociológica e do Programa de Pós-Graduação em Política Social e Direitos Humanos (PPGPSDH) em parceria com grupos e núcleos de pesquisa da Universidade, o estudo reúne informações sobre homicídios, latrocínios, furtos, roubos, crimes relacionados a veículos, entorpecentes e armas, além de diferentes modalidades de violência.
Homicídios caem mais de 50% na região
Entre os principais resultados está a expressiva redução dos homicídios. O número de vítimas registradas nos 29 municípios passou de 154 em 2022 para 71 em 2025, uma queda de aproximadamente 54%.
O resultado regional, entretanto, esconde diferenças significativas entre os municípios. Nas três cidades mais populosas do recorte, Pelotas passou de 18 homicídios em 2022 para nove em 2025, redução de 50%. Rio Grande teve a maior queda, de 91 para 17 vítimas, o equivalente a aproximadamente 81%. Já Bagé apresentou movimento contrário, passando de cinco para nove homicídios no período, aumento de 80%.
Os dados mostram, portanto, que a redução regional da violência letal não ocorreu de maneira uniforme. Em 2025, Rio Grande registrou 17 homicídios, Pelotas nove e Bagé nove. Ao todo, os 29 municípios contabilizaram 71 vítimas.
Roubos recuam 55% em quatro anos
Outro indicador que apresenta queda expressiva é o de roubos. Na Zona Sul, os registros passaram de 2.909 ocorrências em 2022 para 1.312 em 2025, redução de cerca de 55%.
Pelotas teve queda de 1.284 para 548 registros, enquanto Rio Grande passou de 1.127 para 472. Bagé também apresentou redução, de 193 para 103 ocorrências no mesmo período. A trajetória descendente foi observada de forma mais acentuada entre 2022 e 2024, com nova redução em 2025.
Os furtos também diminuíram, embora em ritmo menos intenso. Foram 11.414 registros em 2022, contra 8.949 em 2025, uma redução de aproximadamente 22%. Pelotas passou de 3.623 para 3.123 ocorrências; Rio Grande, de 2.960 para 2.275; e Bagé, de 1.212 para 904.
Crimes contra veículos também recuam
O levantamento aponta ainda redução nos furtos e roubos de veículos. Os furtos de veículos caíram de 476 registros em 2022 para 293 em 2025, enquanto os roubos de veículos passaram de 99 para 49 no mesmo intervalo.
Em Pelotas, os furtos de veículos diminuíram de 221 para 88 registros. Em Rio Grande, foram 86 em 2022 e 69 em 2025. No caso dos roubos de veículos, Pelotas passou de 50 para 16 e Rio Grande, de 33 para 17.
Ameaças continuam entre os principais registros
Se alguns dos crimes patrimoniais e contra a vida apresentam trajetória de queda, outros indicadores permanecem elevados. É o caso das ameaças.
Em 2025, a Zona Sul contabilizou 9.444 registros, segundo o levantamento. Pelotas concentrou 3.223 ocorrências, o maior número entre os municípios analisados, seguida por Rio Grande, com 1.913. Bagé registrou 1.185.
Em Pelotas, os registros de ameaça cresceram de 2.436 em 2022 para 3.223 em 2025. Em Rio Grande, passaram de 1.458 para 1.913 no mesmo período.
Descumprimento de medidas protetivas permanece elevado
Outro indicador de destaque é o descumprimento de medidas protetivas de urgência. Foram 1.220 registros na Zona Sul em 2025, número ligeiramente inferior aos 1.239 registrados em 2024, mas ainda superior aos 847 casos contabilizados em 2022.
Pelotas registrou 435 ocorrências em 2025, enquanto Rio Grande contabilizou 302. O comportamento do indicador reforça a relevância dos mecanismos de proteção às mulheres vítimas de violência e da capacidade de fiscalização do cumprimento das medidas determinadas pela Justiça.
Difamação cresce na região
Entre os crimes contra a honra, a difamação apresentou crescimento ao longo da série analisada. Os registros passaram de 556 em 2022 para 748 em 2025, alta de aproximadamente 35%.
Pelotas teve 239 ocorrências em 2025, contra 172 em 2022. Em Rio Grande, foram 140 registros no último ano da série, ante 103 em 2022. Bagé também apresentou crescimento, passando de 60 para 107 ocorrências.
Violência psicológica contra a mulher aumenta
O Mapa também chama atenção para o crescimento dos registros de violência psicológica contra a mulher. Na região, foram 203 ocorrências em 2022 e 693 em 2025.
Pelotas apresentou aumento de 72 para 154 registros, enquanto Rio Grande passou de 30 para 241. O levantamento, contudo, alerta que os números relacionados à violência devem ser interpretados levando em conta fatores como disposição das vítimas para denunciar, capacidade institucional de registro e possíveis situações de subnotificação.
Tráfico de drogas apresenta estabilidade, enquanto posse recua
Nos crimes relacionados a entorpecentes, o cenário também é distinto conforme a modalidade. Os registros de posse de drogas caíram de 999 em 2022 para 407 em 2025, enquanto os registros classificados como tráfico passaram de 1.631 para 1.355 no mesmo período.
Em 2025, Pelotas contabilizou 64 registros de posse e 380 de tráfico. Rio Grande registrou 60 ocorrências de posse e 364 de tráfico. Bagé apresentou 83 registros de posse e 287 de tráfico.
UCPel destaca importância da análise regional
Para o coordenador-geral do Mapa, professor do Programa de Pós-Graduação em Política Social e Direitos Humanos da UCPel Aknaton Toczek Souza, o levantamento permite observar a criminalidade para além das fronteiras administrativas de cada município.
Segundo ele, a proposta é contribuir tanto para a formação acadêmica quanto para a produção de conhecimento que possa ser utilizado pela sociedade e na formulação de políticas públicas.
O estudo destaca que as estatísticas criminais devem ser interpretadas com cautela. Os registros podem sofrer influência de mudanças nas práticas de denúncia, no policiamento, na classificação das ocorrências e na disponibilidade dos bancos de dados. Por isso, os números não devem ser considerados uma representação integral da violência existente na região.
A metodologia utilizada pela UCPel considera os anos completos de 2022, 2023, 2024 e 2025. Os dados são provenientes da SSP/RS e correspondem a ocorrências policiais, não equivalendo necessariamente a processos judiciais, condenações ou à totalidade dos crimes efetivamente praticados.
O Mapa da Violência da Zona Sul é apresentado pela Universidade como uma ferramenta de sistematização e análise das dinâmicas criminais regionais, com o objetivo de subsidiar pesquisas, diagnósticos e políticas públicas de segurança baseadas em evidências.
O material completo está disponível no site – https://www.arenasociologica.com/cartilhas






