Andressa Marques traz a Pelotas romance sobre cotas raciais nas universidades
Autora, que é Coordenadora do Plano Nacional do Livro e Leitura, esteve em uma das primeiras turmas de cotistas do país e traz essa vivência ao Clube de Leitura no dia 30 de julho
Jordana entra na universidade carregando o peso e a euforia de ser a primeira da família a chegar até ali. É por essa porta que Andressa Marques, coordenadora-geral do Plano Nacional do Livro e Literatura (PNLL), do Ministério da Cultura, abre o romance “A Construção”, vencedor do prêmio Toca Literária e que virou uma das apostas mais comentadas da nova literatura brasileira. Nesta quinta (30), às 18h, a autora estará na Biblioteca OTROPORTO, em Pelotas, para conversar com o Clube de Leitura sobre a obra.
A protagonista integra a primeira geração de estudantes cotistas nas universidades públicas do país e, com isso, carrega uma pressão que muitos colegas de turma não conhecem. Os olhares, o silêncio nos corredores, a sensação de estar sempre provando que merece estar ali. História que reflete o que aconteceu com a própria autora no início da sua trajetória acadêmica.
O romance também mergulha no passado da construção de Brasília, cruzando o presente da protagonista Jordana com a memória dos operários que ergueram a capital, onde muitos deles, como o avô da autora, praticamente invisíveis na história oficial da cidade.
Para a professora Vanessa Damasceno, coordenadora do projeto, a proposta do Clube de Leitura vai além do encontro com a obra, sendo um convite ao estranhamento. “A literatura é uma forma de arte que nos permite acessar outros tempos e espaços”, afirma. Segundo ela, ter a participação de Andressa Marques no encontro é também uma chance de o público repensar estereótipos sobre cotas raciais nas universidades e exercitar a empatia.
A importância da presença da escritora
Ao contar com Andressa Marques na atividade desta quinta-feira no Clube de Leitura, o objetivo é dar outro tom à conversa. O público não vai só comentar escolhas de enredo ou estilo, ele vai ouvir, de quem viveu a experiência antes de escrevê-la, o que ficou de fora das páginas.
Andressa integrou uma das primeiras turmas de cotistas da Universidade de Brasília (UnB) no início dos anos 2000, período marcado por episódios de racismo explícito contra estudantes negros. Esse histórico, raramente contado em primeira pessoa, é o que a autora abordará no encontro em Pelotas, possibilitando aos leitores que participarem da atividade confrontar diretamente quem transformou vivência em literatura, e a escrita como ferramenta de memória coletiva. “Foi a força coletiva que me fez acreditar que eu podia escrever”, resume Andressa.
O encontro contará com intérprete de Libras, é aberto ao público e faz parte da programação mensal do clube, que reúne leitores para debater a obra do mês diretamente com quem a escreveu.
Serviço
Clube de Leitura UFPel: Ler Mulheres – “A construção”, de Andressa Marques
Dia: quinta-feira, 30 de julho
Horário: 18h
Local: OTROPORTO Indústria Criativa – Rua Benjamin Constant, 701-A






