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Artigo: A AGONIA DE UMA CASA

Artigo: A AGONIA DE UMA CASA
29 abril
08:38 2026

O ato de emparedar uma casa é potente. Causa desconforto, provoca, faz pensar

Por Henri F. Tragen*

Emparedar é um ato negativo.

Os motivos que levam uma casa ser emparedada são diversos, sempre se pode achar algum.

Mesmo justificado, não deixa de ser triste. E quase sempre carrega um tom de derrota, de fim.

Uma casa emparedada é um paciente terminal, está praticamente morta. Só um milagre salva!

Eu que habito uma casa viva, e que sempre busquei isso nas casas que ocupei, algumas delas ancestrais, como a de hoje que compramos já tombada pelo Patrimônio Histórico, fico triste quando vejo uma casa lacrada, sem respirar.

Penso que sempre pode haver uma solução que não seja fechar portas e janelas com tijolos. Imagino a casa como um ser vivo, como um membro da família.

Uma casa emparedada é o ápice do abandono, é como cortar um membro, é o fundo do poço.

Uma volta rápida pelas ruas de Pelotas e elas surgem às dezenas, até mesmo a Prefeitura colaborou tempos atrás para esse cenário decadente, do fracasso em cuidar, da especulação. Em pleno coração da cidade, tem prédio público emparedado.

E aquela tal “função social da propriedade”? Ah, isso foi colocado lá na Constituição de 1988 e ficou atrás de uma montanha de tijolos, areia e cimento, emparedada tanto quanto as casas.

* Jornalista e historiador

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