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Circuito “Fronteiras”, do Festival de Cinema Acessível Kids, visita Jaguarão

Circuito “Fronteiras”, do Festival de Cinema Acessível Kids, visita Jaguarão
20 agosto
08:38 2026

O Festival é voltado a crianças cegas ou com baixa visão, surdas ou com deficiência auditiva ou com deficiência intelectual ou cognitiva e, também, para a população de baixa renda. Nessa edição, também se aproxima mais de crianças e jovens neurodivergentes

Os filmes exibidos contam com os recursos de audiodescrição, legendas descritivas e Língua Brasileira de Sinais. Com sessão de cinema e oficina para educadores inclusivos, o projeto, que esteve dias 11 e 12 de agosto de Santana do Livramento, visitará Jaguarão em 25 e 26 de agosto e Santa Vitória do Palmar nos dias 29 e 30 de setembro. Em novembro, fará o evento em Brasília e alguma cidade do Sudeste, ainda indefinida.

Em Jaguarão, acontece uma nova etapa do circuito “Fronteiras”, do Festival de Cinema Acessível Kids – a serviço da Inclusão Educacional. O projeto, que integra o programa Criança Esperança, é voltado a crianças cegas ou com baixa visão, surdas ou com deficiência auditiva ou com deficiência intelectual ou cognitiva e, também, para a população de baixa renda e situada em regiões de pouco acesso a equipamentos culturais. Os filmes exibidos sempre contam com os recursos de audiodescrição, legendas descritivas e Língua Brasileira de Sinais (Libras). Na maioria dos eventos são realizadas também uma ou mais oficinas de capacitação em inclusão educacional para grupos de até 35 educadores.

No dia 25 de agosto, terça-feira, será exibido o filme “Divertida Mente”, às 14h, no Theatro Esperança, na avenida 27 de janeiro, 533. A entrada é franca, mas é sempre bom reservar lugar pelo e-mail maicrianca@maiscrianca.org.br ou pelo WhatsApp 51-998945558. No dia seguinte, 26, quarta-feira, das 8h às 12h, acontece a oficina “Agente de Transformação Social – Educadores Mais Inclusivos”. Será na Biblioteca Municipal, à rua General Marques, 284, em frente ao Mercado Público.

O circuito “Fronteiras”, que irá nos dias 29 e 30 de setembro à Santa Vitória do Palmar, também no extremo sul do estado, foi iniciado nos dias 11 e 12 de agosto, em Santana do Livramento. Neste ano de 2026, o Festival de Cinema Acessível Kids fez também um evento em Imbé, no litoral norte do Rio Grande do Sul. Em novembro, estará pelo quinto ano consecutivo em Brasília e em alguma cidade, ainda indefinida, do Sudeste do país.

A iniciativa nasceu há 11 anos em Porto Alegre, como “Festival Cinema Acessível”, idealizado pelo empreendedor e musicista Sidnei Schames (Sid), diretor de projetos de Inclusão da OSC Mais Criança (a proponente do projeto) e diretor da empresa Som da Luz. Logo na estreia, em 2015, seu filho, David, então com oito anos, não pôde entrar no cinema, por não ter a idade necessária. Acabrunhado, exclamou: “meu pai criou um Festival Acessível para os outros; mas não é acessível para mim!”. Logo depois, transformou a indignação em projeto: “Pai, que tal a gente criar também um festival para as crianças? Já tenho até nome e slogan: ‘Festival de Cinema Acessível Kids: leve seu pai ao cinema’”.

Esse é o projeto que estreou dois anos depois, em 2017, e que recebeu a chancela da Unesco. Em 2022 foi expandido, com a participação na 36ª edição do Criança Esperança, onde ganhou uma maior relevância e saiu pela primeira vez da região Sul do país. Agora, o Festival de Cinema Acessível Kids pela Inclusão participa pela 5ª vez do Criança Esperança, que está na sua 40ª edição.

De acordo com Sid, o nome desse circuito foi decidido porque é a primeira vez que o projeto visita cidades próximas à fronteira e, também, pela capacidade que a iniciativa tem de alargar fronteiras e de chegar a cada vez mais pessoas. “Diferentemente do que acontece em muitos lugares e países não estamos construindo muros e sim congregando, colocando em nossos filmes pessoas com diversas características e educando para um mundo que respeite cada vez mais a diversidade e dê acesso cultural a todos”, afirma.

Até hoje, em suas versões adulto e infantil, o Festival de Cinema Acessível foi assistido por 25.320 pessoas, em 45 cidades (São Paulo, Natal, Niterói, Recife, Florianópolis, Porto Alegre e Brasília, além de outras 37 no interior do Rio Grande do Sul e duas no interior de Santa Catarina), com um total de 135 exibições.

O Festival de Cinema Acessível Kids traz como diferencial a adaptação de obras cinematográficas infanto-juvenis, mas que fazem sucesso com a família toda. Oferece conteúdo acessível de qualidade para uma parcela da população privada do direito de ter acesso à magia do cinema. As ações de inclusão cultural para o público das pessoas com deficiência são raras e, quando existem, invariavelmente assistencialistas.

Os filmes têm audiodescrição das cenas para quem não enxerga, janela de Libras para quem não ouve e legendas descritivas para quem não sabe Libras. “Para chegar às telas de cinema com toda a acessibilidade necessária, tudo é gravado em estúdio. É preciso de tecnologia e muita sensibilidade”, explica Sid Schames, que acrescenta: “Todos somos diferentes, mas podemos compartilhar uma mesma sala de cinema. Nas sessões tem o pai com deficiência visual, com o filho que enxerga; a filha com deficiência auditiva com a mãe que escuta, crianças com deficiência intelectual ou cognitiva e todos estão juntos se divertindo no cinema.  Tivemos casos de pessoas que fizeram curso de Libras para poder se comunicar com pessoas surdas a partir da experiência que tiveram nas edições anteriores. O Festival Kids é muito mais do que a exibição de filmes acessíveis. Trata-se de uma oportunidade de troca e aprendizado”.

Conta David Schames, hoje com 19 anos: “Criamos o Festival para todo mundo ser igual. Não igual no sentido de ter as mesmas características, mas de ter os mesmos direitos e possibilidades. É um momento de inclusão estar todo mundo, pessoas com e sem deficiência, assistindo ao filme.

Quando David e Sid contam sobre pessoas sem deficiência, se referem à presença de familiares, crianças, adolescentes e jovens não PCDs; e também a quem vai às exibições como um exercício de aprendizado e empatia. “Fizemos sessões em escolas, onde as crianças assistem aos filmes de olhos fechados ou com venda nos olhos, para sentir como é um mundo sem imagens. Assim, esses alunos tentam se colocar na posição do ‘Outro’ e aprendem a entender e respeitar as diferenças”, reflete Sid. 

Para pai e filho, expandir o Festival de Cinema Acessível Kids para novas cidades significa permitir que mais crianças e jovens cresçam compreendendo que as diferenças fazem parte da sociedade e que nenhuma pessoa deve ser excluída do acesso à cultura. Mais do que promover sessões de cinema, o projeto forma públicos, mobiliza educadores, combate barreiras e transforma a inclusão em uma experiência concreta de pertencimento, cidadania e participação social.

Sid Schames conta que este ano o projeto reforçou o convite às entidades que trabalham com crianças e jovens neurodivergentes. “Percebemos que esse público tem sido crescente nas nossas sessões de cinema. Por isso, agora as Apaes são parceiras e apoiadoras nas cidades e regiões em que o projeto é realizado”, revela, acrescentando que pesquisas demonstram que esses recursos beneficiam espectadores com autismo, Síndrome de Down, deficiência intelectual e déficit de atenção. “Em Imbé a ação foi muito impactante. Tivemos uma presença forte de crianças com Síndrome de Down e TEA (Transtorno do Espectro Autista). Muita gente desconhecia que estamos preparados tanto nas tecnologias quanto na ambientação para receber crianças e jovens neurodivergentes”.  Segundo Sid, em muitas das ações o volume do filme é mais baixo, existe uma luz tênue (a sala não fica no breu total) e as pessoas podem se movimentar sem constrangimento e até mesmo conversar, “o que faz com que as crianças e jovens curtam e fiquem até o final das sessões”.

O diretor do Festival de Cinema Acessível Kids fez questão de voltar a destacar que o projeto atua em duas frentes complementares: a realização de sessões de cinema acessíveis e a formação de agentes de transformação social. “Por meio da oficina, o projeto capacita educadores e outros profissionais para reconhecer barreiras, enfrentar preconceitos e desenvolver práticas comprometidas com a diversidade, a equidade, a acessibilidade e a inclusão. Essa integração entre cultura e formação amplia os resultados do projeto. Enquanto o cinema aproxima diferentes públicos e favorece a convivência, as atividades educativas oferecem conhecimentos e instrumentos para que a experiência vivenciada continue produzindo mudanças nas escolas, nas famílias, nas instituições e nas comunidades”.

O Festival de Cinema Acessível Kids é produzido e realizado pela Mais Criança e pelo Som da Luz. Conta com os seguintes apoiadores institucionais: Senado Federal, Total Seguros, Natura Galeria Chaves, Essence, Gontof Comunicação, Gera Produção, Monkey Bird Camale, Acergs, Ucergs, Criança Esperança, Unesco, Rede Globo, Mundo Melhor Inclusão.

Em Jaguarão, tem os seguintes apoiadores locais: Casa Azpiroz Produções, Ponto de Cultura Sociedade Independente Cultural, Hotel Sinuelo, Prefeitura Municipal de Jaguarão, Secretaria de Cultura e Turismo, Secretaria de Educação, Millenium Sonorização e Iluminação, Jogos Teatrais e CineClube IFJag e IFSul Campus Jaguarão.

Em Santa Vitória do Palmar, conta com os seguintes apoiadores:  APAE, Sectur e Dadá Sonorização.

Veja mais detalhes sobre as oficinas para educadores

        A oficina Agente de Transformação Social nasce com o propósito de despertar consciências, ampliar olhares e formar pessoas que atuem como protagonistas na construção de uma sociedade mais justa, plural, acessível e inclusiva. Com uma abordagem que integra educação, diversidade, equidade, acessibilidade comunicacional e inclusão, o curso propõe um mergulho no autoconhecimento – o “olhar para dentro” – como caminho para transformar o mundo ao redor.

Durante o percurso, as pessoas participantes terão contato com reflexões sobre: Funcionamento da mente humana: consciente, inconsciente e vieses cognitivos que afetam nossas percepções e decisões; Diversidade e equidade: como reconhecer e valorizar diferentes identidades (gênero, geração, étnico-racial, pessoas com deficiência, LGBTQIAPN+, entre outras); Preconceito e discriminação: diferenças entre viés implícito e explícito, barreiras atitudinais e seus impactos nos ambientes sociais e profissionais; Educação transformadora: os pilares de Jacques Delors, os saberes de Edgar Morin e a importância da ética e da responsabilidade coletiva; Interseccionalidade e acessibilidade: construção de espaços inclusivos que reconhecem múltiplas necessidades humanas, eliminam barreiras atitudinais e promovem a acessibilidade comunicacional.

A metodologia é interativa e vivencial, convidando cada participante a refletir sobre suas próprias práticas e a se tornar um agente de transformação social em sua comunidade, organização ou território. Mais do que um curso, esta é uma experiência de transformação pessoal e coletiva. Porque só quando reconhecemos nossas fragilidades e potencialidades podemos gerar impacto positivo no mundo. Para informações sobre a oficina, escreva para contato@maiscrianca.org.br ou chame pelo WhatsApp: 51-998945558. Para inscrições, https://forms.gle/awchQNfAYWMu2bW76

 

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