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Contrato para obras na Ponte Alberto Pasqualini marca avanço esperado há décadas em Pelotas

Contrato para obras na Ponte Alberto Pasqualini marca avanço esperado há décadas em Pelotas
12 maio
08:52 2026

O investimento estimado para a obra da ponte é de R$ 126,3 milhões e a previsão é de início das intervenções em 2027

A assinatura do contrato para as obras de recuperação da Ponte Alberto Pasqualini, conhecida historicamente como “Ponte Velha” sobre o Canal São Gonçalo, representa um novo capítulo para uma das estruturas mais simbólicas da infraestrutura rodoviária do Sul do Rio Grande do Sul. A formalização do acordo reacende a expectativa de retomada de ampliação da ligação estratégica entre Pelotas e Rio Grande, considerada fundamental para a logística regional e para o sistema de acesso ao Porto de Rio Grande.

O consórcio vencedor da licitação é formado pelas empresas Arteleste, Cidade e A. Gaspar, responsáveis pela próxima etapa do processo. O investimento estimado para a obra da ponte é de R$ 126,3 milhões e a previsão é de início das intervenções em 2027.

A obra prevê a reabilitação estrutural da ponte localizada na BR-392, incluindo reforço das vigas, recuperação da superestrutura, ampliação de trechos e intervenções em pilares e fundações. O projeto também contempla a elaboração dos projetos básico e executivo de engenharia, além da execução completa dos serviços de recuperação.

Construída no início da década de 1960, a Ponte Alberto Pasqualini foi durante anos a principal ligação rodoviária entre Pelotas e Rio Grande. A estrutura acabou interditada em 1974 após problemas estruturais provocados, sobretudo, pelo intenso fluxo de caminhões pesados que seguiam em direção ao Porto de Rio Grande. Desde então, a Ponte Léo Guedes passou a concentrar praticamente todo o tráfego da região.

Ao longo das últimas décadas, diferentes estudos técnicos apontaram a viabilidade da recuperação da antiga ponte. O tema voltou a ganhar força nos últimos anos diante da necessidade de ampliar a segurança logística e reduzir a dependência de uma única travessia rodoviária entre os municípios.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) considera a obra estratégica para o escoamento da produção gaúcha e para a competitividade do complexo portuário rio-grandino. Além do impacto econômico, a recuperação da ponte também é vista como uma medida de segurança operacional, já que atualmente toda a circulação rodoviária depende exclusivamente da Ponte Léo Guedes.

A expectativa é de que as obras avancem em etapas, devido à complexidade da estrutura. Técnicos envolvidos no projeto classificam a intervenção como uma das mais desafiadoras da engenharia rodoviária recente no Estado, especialmente em razão das características originais da ponte e da necessidade de adequação aos padrões atuais de segurança e capacidade estrutural.

A assinatura do contrato ocorre após anos de debates, revisões orçamentárias, estudos técnicos e preparação de editais. Em 2025, o Dnit havia confirmado o avanço do processo licitatório e a previsão de publicação do edital para recuperação da estrutura. Já em 2026, iniciou-se a etapa de avaliação das propostas apresentadas pelas empresas interessadas na execução da obra.

Além da importância logística, a Ponte Alberto Pasqualini também possui forte valor simbólico para a região. Mesmo desativada para o tráfego há mais de cinco décadas, a estrutura permanece como um dos cenários mais conhecidos do Canal São Gonçalo, frequentemente utilizada como ponto turístico e cenário fotográfico.

Com a formalização do contrato, a expectativa do setor produtivo, de autoridades regionais e da comunidade é de que a recuperação finalmente saia do papel, criando uma alternativa viária estratégica entre Pelotas e Rio Grande e fortalecendo a infraestrutura de transporte do sul gaúcho.

Contexto histórico

A Ponte Alberto Pasqualini foi inaugurada em 1963 e chegou a desempenhar papel central no transporte rodoviário gaúcho. A estrutura, porém, foi projetada para suportar cargas inferiores às que passaram a circular com o crescimento das operações do Porto de Rio Grande.

Relatórios técnicos elaborados ainda na década de 1970 identificaram deformações permanentes e danos estruturais em pontos da ponte, levando à sua interdição definitiva em 1974. Desde então, diversos estudos de engenharia passaram a discutir alternativas de recuperação e reforço estrutural.

Pesquisas acadêmicas e levantamentos técnicos posteriores apontaram que, apesar das patologias estruturais, a recuperação da ponte seria tecnicamente possível mediante reforços significativos na superestrutura, nos pilares e nas fundações.

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