Lançamento de Arte Preta para Erês é neste sábado (27)
Livro ilustrado celebra memória do povo negro no sul do Rio Grande do Sul
Será lançado neste sábado, dia 27, o livro Arte Preta para Erês, de Eduardo Freda e Êmily Passarinho, com ilustrações de Jackeline Nunes. A obra, indicada para crianças de todas as idades, foi viabilizada através da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) em âmbito municipal e será distribuída em escolas públicas, espaços de terreiro e órgãos culturais. O lançamento começa às 15h no Instituto Hélio D`Angola (Rua Alberto Rosa, 1).

Eduardo Freda e Êmily Passarinho
O evento contará também com uma exposição das ilustrações de Jackeline Nunes e oficina cantada com Freda e Davi Batuka, produtor musical e percussionista. A entrada é gratuita, com acessibilidade e presença de intérprete de libras. Outros lançamentos e atividades podem ser acompanhadas através do Instagram “@arte.preta.para.eres”.
Baseado em músicas compostas e interpretadas por Eduardo Freda, o livro celebra histórias e memórias do povo negro no sul do Rio Grande do Sul. Conhecido por projetos autorais com os discos Raízes e Coração (2012) e Roda do Tempo (2017) com o grupo Quintal de Sinhá, as temáticas da religiosidade e história regional dão alicerce para Freda enquanto artista. Neste momento, o músico trabalha no projeto Preto de Sapato, grupo formado em parceria com Êmily Passarinho.
As músicas que dão origem ao livro são “Sinhá Maria˜, “Sebastião Ladainha˜, “Porongada” e “O amor em terras saladeiris”.
“Minha mãe sempre me contou histórias de personagens da ‘Várzea’, de Orixás, de carnaval, do Passo dos Negros. Então tudo isso cresceu fervendo dentro de mim”. O autor lembra um passado inquieto, uma busca por informações do passado, fotos antigas da cidade, histórias contadas pelos mais velhos. Se no violão encontrou uma ferramenta pra lançar estas memórias pelo mundo, o livro serve para gravar estas obras e oferece para a educação da cidade estas novas perspectivas sobre a nossa própria história.
O livro surgiu a partir de muitas mãos num trabalho de criação coletiva entre os autores e a ilustradora Jackeline Nunes. A produtora cultural e autora Êmily Passarinho foi quem fez essa costura entre composições, roteiro e ilustrações. “Como é que a gente faz estas obras, estas histórias permanecerem no tempo? Como fica a memória nestes movimentos digitais? A literatura salva”, acredita.

Êmily cita a Lei 10.639 de 2003, que incluiu no currículo das escolas a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira” e como a obra pode ser um material de apoio para as escolas. No dia 13 de julho, a Secretaria Municipal de Educação (SME) de Pelotas promove uma oficina com os autores destinada para um representante de cada escola da rede municipal do município.
O projeto do livro foi aprovado no Edital de Fomento a Projetos Culturais e Áreas Periféricas PNAB em 2025 lançado pela Secretaria Municipal de Cultura.
Oficinas musicadas
Além da distribuição à rede pública local, estão agendadas 20 oficinas musicadas em escolas municipais. Estão contempladas atividades no Fragata, Areal, Centro, Três Vendas, Laranjal, Colônia Z3 e Distrito Quilombo.
Os locais escolhidos são na periferia e zona rural de Pelotas. Além de apresentar o livro e suas histórias, os estudantes também participam de uma formação com Eduardo Freda, Êmily Passarinho e Davi Batuka.
Composições presentes no livro
Sinhá Maria (Youtube)
Conta a história de uma doceira negra escravizada, conhecida como “escrava de ganho” em Pelotas. A canção é baseada em folhetins resgatados pelo historiador Mário Osório Magalhães, que registraram os dizeres de Sinhá Maria enquanto vendia seus quitutes em frente à Igreja Matriz: “Tá aqui o que sinhôzinho esqueceu? Rapadurinha de amendoim, batata doce! Sinhá Maria tem! Se o senhorzinho não quer comprar, não faça desdém”.
Sebastião Ladainha (Youtube)
Retrata a criação de um herói negro fictício, filho da diáspora africana, nascido nas águas do Canal São Gonçalo. A música fala sobre sua luta contra a tirania e opressão, fazendo referência às charqueadas, um pilar da economia sul-riograndense, construído pelo suor e sangue dos negros escravizados.
Porongada (Youtube)
Aborda o trágico Massacre de Porongos, o penúltimo confronto da Revolução Farroupilha, em 1844, em Pinheiro Machado/RS. A canção narra a traição sofrida pelos Lanceiros Negros, que, buscando liberdade, foram em maioria assassinados e os sobreviventes novamente escravizados devido a um acordo entre charqueadores e forças imperiais.
O Amor em Terras Saladeiris (Youtube)
Celebra a diversidade cultural e a união do povo negro em Pelotas, retratando a alegria e a celebração que ecoavam pelas ruas da cidade, com batuques e cantos de poetas negros, simbolizando a resistência e a liberdade.
LANÇAMENTO DO LIVRO ARTE PRETA PARA ERÊS
Quando: Sábado (27), 15h
Onde: Instituto Hélio D`Angola (Alberto Rosa, 1 – Pelotas/RS)
Atrações: Oficina musicada com Eduardo Freda e Davi Batuka (Preto de Sapato)
Exposição da artista Jackeline Nunes
(*) Evento com acessibilidade e presença de intérprete de Libras
Entrada gratuita






