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Museu do Doce inicia projeto financiado pelo IPHAN para fortalecer e preservar a tradição doceira da região de Pelotas

Museu do Doce inicia projeto financiado pelo IPHAN para fortalecer e preservar a tradição doceira da região de Pelotas
09 julho
14:55 2026

O levantamento prevê a produção de registros bibliográficos, fotográficos, audiovisuais e sonoros, garantindo documentação acessível sobre esse importante patrimônio cultural

O Museu do Doce da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) iniciou, em junho de 2026, a execução do projeto “Produção, Reprodução Cultural, Valorização, Difusão e Fomento da Tradição Doceira de Pelotas e Antiga Pelotas”, contemplado no Edital PNPI 2023 do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A iniciativa abrange os municípios de Pelotas, Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo e Turuçu e terá duração de 18 meses.

A proposta busca ampliar as ações de valorização, preservação e difusão da tradição doceira da região, reconhecida como um dos mais importantes patrimônios culturais imateriais do Rio Grande do Sul. O projeto também pretende atualizar o conhecimento sobre as doceiras e os doceiros que mantêm vivo esse saber-fazer, tanto na produção dos tradicionais doces finos quanto dos doces de frutas.

Passados 17 anos da elaboração do relatório que originou o Dossiê de Registro da Região Doceira, a iniciativa pretende revisitar esse patrimônio cultural, identificando novos protagonistas e fortalecendo as ações de salvaguarda voltadas à manutenção dessa tradição, considerada parte fundamental da identidade cultural da região.

Segundo a coordenação do projeto, o Museu do Doce reafirma seu papel como espaço de preservação da memória e da cultura doceira, mas amplia sua atuação ao desenvolver atividades diretamente junto às comunidades onde esse conhecimento é produzido e transmitido entre gerações.

Entre as ações previstas estão a realização de oficinas, atividades educativas em escolas e comunidades urbanas e rurais, incluindo quilombos, produção de materiais impressos e audiovisuais, além da organização de uma exposição baseada nos resultados obtidos durante o projeto. O objetivo é aproximar a comunidade doceira do público, fortalecer a transmissão dos conhecimentos tradicionais e ampliar o reconhecimento dos detentores desse patrimônio cultural.

Mapeamento dos detentores do saber-fazer

A primeira etapa do projeto consiste na identificação, documentação e mapeamento georreferenciado dos detentores do saber-fazer doceiro nos cinco municípios abrangidos pela iniciativa.

Além de atualizar o inventário das tradições doceiras, o trabalho busca reconhecer grupos que historicamente permaneceram pouco representados, como produtores de doces de frutas, doceiras e doceiros da periferia, responsáveis pela produção de doces de bandeja, e também aqueles cuja produção está vinculada aos rituais das religiões de matriz africana.

O levantamento também prevê a produção de registros bibliográficos, fotográficos, audiovisuais e sonoros, garantindo documentação acessível sobre a riqueza e a diversidade da tradição doceira regional.

Morro Redondo é o projeto-piloto

A primeira fase das atividades está sendo desenvolvida em Morro Redondo, com apoio da Prefeitura Municipal e da comunidade local. O município foi escolhido para consolidar a metodologia que será aplicada posteriormente nas demais cidades participantes.

O trabalho está estruturado em cinco eixos:

  • Identificação dos detentores, para localizar e reconhecer quem preserva o saber-fazer doceiro;
  • Documentação dos processos produtivos, por meio de entrevistas, registros fotográficos e audiovisuais;
  • Transmissão dos saberes, analisando como os conhecimentos são repassados entre gerações;
  • Território e referências culturais, identificando os espaços e elementos vinculados à tradição;
  • Articulação institucional, mapeando entidades e agentes envolvidos na preservação desse patrimônio.

A partir de julho, com a metodologia consolidada, o projeto será expandido para Pelotas, Capão do Leão, Turuçu e Arroio do Padre. Essa etapa deverá ser desenvolvida até o mês de outubro.

A equipe responsável pela execução é formada por professores, técnicos, estudantes de graduação e pós-graduação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), reunindo diferentes áreas do conhecimento em torno da preservação e valorização da tradição doceira da região.

 

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