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Pela primeira vez na história, Impostômetro atingirá R$ 2 trilhões ainda no primeiro semestre

Pela primeira vez na história, Impostômetro atingirá R$ 2 trilhões ainda no primeiro semestre
24 junho
13:40 2026

Medidor de arrecadação registrará a marca neste sábado, 27 de junho, às 9h09, seis dias antes do que em 2025; dez anos atrás, patamar foi atingido somente em dezembro

O painel do Impostômetro, instalado na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) no Centro Histórico da capital paulista, marcará neste sábado, 27 de junho, às 9h09, R$ 2 trilhões em tributos pagos pelos contribuintes brasileiros desde o início do ano. O valor soma impostos, taxas e contribuições recolhidos pelos governos federal, estadual e municipal, incluindo multas, juros e correção monetária.

A marca será atingida seis dias antes do registrado em 2025, quando o painel chegou aos R$ 2 trilhões em 3 de julho, representando um aumento na arrecadação de 3,1%. Em 2024, o mesmo patamar foi alcançado somente no dia 24 de julho, o que significa 13,0% de aumento na tributação. Dez anos atrás, em 2015, o Brasil chegou a R$ 2 trilhões apenas em 9 de dezembro, o que significou praticamente dobrar a arrecadação. A antecipação sistemática da data ao longo da última década reflete uma trajetória de crescimento contínuo da carga tributária sobre a economia brasileira.

Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV) da ACSP, a aceleração em 2026 resulta de uma combinação de fatores. “O aquecimento da atividade econômica amplia a base de arrecadação. Ao mesmo tempo, a inflação pressiona os preços de bens e serviços e, como grande parte dos impostos incide sobre os preços, a arrecadação acompanha esse movimento”, explica.

Contribuem ainda para o ritmo acelerado medidas que ampliaram a base tributária, como a tributação de fundos exclusivos e offshores, alterações na tributação de subvenções estaduais, a retomada da tributação sobre combustíveis, a reoneração sobre a folha de pagamentos, o aumento do IOF sobre juros e câmbio, a elevação da tributação sobre juros do capital próprio, o fim dos benefícios para o setor de eventos e a incidência sobre apostas esportivas.

Gastos superam arrecadação

A velocidade com que o país acumula R$ 2 trilhões em tributos ganha contornos ainda mais expressivos quando confrontada com o lado do gasto público. A plataforma Gasto Brasil, que compartilha o painel com o Impostômetro, indica que as despesas não financeiras do setor público nas três esferas de governo já superam a arrecadação estimada no mesmo período. Em 2025, quando o Impostômetro marcou R$ 2 trilhões, os gastos públicos já haviam ultrapassado R$ 2,58 trilhões. Neste ano, o Gasto Brasil já se aproxima de R$ 2,7 trilhões.

“A arrecadação cresce, mas o gasto público cresce em ritmo ainda maior. Esse descompasso é o nó central das dificuldades fiscais do país e explica, em grande medida, por que a carga tributária continua pressionando famílias e empresas sem que haja uma contrapartida equivalente em serviços públicos de qualidade, diz o líder do Associativismo “Alfredo Cotait Neto, presidente da Associação Comercial de São Paulo, da Facesp e da Confederação das Associações Comerciais do Brasil.

O Impostômetro foi criado em 2005 pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) em parceria com a ACSP e as associações comerciais filiadas ao sistema. O painel físico fica na Rua Boa Vista, 51, no Centro Histórico de São Paulo. A contagem em tempo real pode ser acompanhada pelo site impostometro.com.br.

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