Ria! Encontro de Palhaçaria Feminina
Pelotas já é palco de muitas risadas como ferramenta de formação e transformação; Primeiro espetáculo será dia 20 de março
O riso como arte, como resistência política, como processo formativo e como ato cultural e coletivo. É a partir dessas perspectivas que se estrutura o Ria!, Encontro de Palhaçaria Feminina, que teve início no dia 14, com cortejo pelo Centro Histórico, marcando o começo das atividades formativas e dos espetáculos que seguem até 29 de março, em Pelotas, no extremo sul do Rio Grande do Sul.
A próxima atividade será no dia 20 de março, com o espetáculo, “A Mulher Festa”, criada por Antonia Vilarinho, que resgata saberes das culturas negras e integra a sabedoria do terreiro com a palhaçaria sob um olhar afrodiaspórico.
Nesta primeira edição, o foco é reunir importantes nomes da palhaçaria brasileira em uma programação que busca valorizar ancestralidade, identidade cultural e principalmente os diferentes risos feito por mulheres.
O Ria!, é idealizado por Marcela Busetti e Maura Souza, palhaças, produtoras culturais e pesquisadoras da palhaçaria feminina, e o encontro propõe trazer pra Pelotas referências da Palhaçaria Feminina além de oferecer diversão, formação e construção de rede.
O encontro oferece em sua programação oficinas, rodas de conversa e espetáculos com artistas de reconhecimento nacional, como Antonia Vilarinho e Karla Concá, pioneira da palhaçaria feminina no Brasil e uma das fundadoras do grupo, As Marias da Graça/RJ, o primeiro grupo de mulheres palhaças do Brasil.
Sobre o primeiro Espetáculo que faz parte do Ria! – “A Mulher Festa”
Nasce dentro de um caminho sinuoso determinado por andanças e tropeços, surge uma mulher aquilombada negra, indígena. Ela se veste de encanto. Tanto no sertão amazônico aquilombada negra, indígena de sol a pique a encantaria com o favo de mel, a cabocla jurema. Esse circo, ela faz como não quer nada, para que a lona? Se já tem Fronha. Capoeira para lá corta-jaca-para cá. La vem ela com seu rebolado, gingado, na multidão de gente incrédula. A Mulambo. Ela se destaca, com a festa abre terreiro no meio do asfalto. No monturo no terreiro que ela sai do lixo deixando a rainha reinar, sendo atravessada pela fabulação do encontro com a malandragem na sua capoeira de mandinga e muito axé. Nesse trabalho transgressor a filosofia preta de terreiro é aplicada no fazer artístico. Nesse se reinventar renascendo do lixo para a festa a rainha do lixo, nobre sendo coroada.
Ficha técnica:
Direção e Atuação: Antonia Vilarinho.
Colaboradores: Catia Costa, Ricardo Pucceti, Doté Pepe Sedrez, Maíra Freitas.
Duração: 40 minutos.
Espaços Cênicos: Teatros, Espaços Convivência, Espaços alternativos, etc.
Classificação: Livre.
Conheça a Artista
Antônia é Mulher Preta Neuro Adversa. Mãe-atípica, palhaça, capoeirista e artista- pesquisadora, Diretora residente no Centro Coreográfico do Rio de janeiro orientando pesquisa: Palhaçaria de Terreiro e Corpo Mandinga com direção de espetáculo. É artista há mais de trinta anos, começou em Brasília-DF.
Atualmente reside no Rio de Janeiro-RJ. Mestra em Teatro com a Pesquisa:
Palhaçaria Essencial- O Caminho da Palhaça Fronha na Capoeiragem é Doutoranda em palhaçaria pela Universidade Estadual de Santa Catarina com a pesquisa: Palhaçaria de Terreiro-Pedagogias do Corpo Mandinga: Um Caminho para Processos Criativos des Palhaces. Iniciou-se na palhaçaria em 1999 no VIII – Retiro “O Clown e o Sentido Cômico do Corpo” no Grupo Lume/UNICAMP/SP, com Ricardo Puccetti e Carlos Simioni. Tem formação em Palhaçaria para hospitais no Institut Le Rire Médecin Paris/França. Estudou na Escola Picolino de Artes do Circo em Salvador-BA. Faz curadoria para festivais de palhaçaria.
Atuou como assessora na área de circo da Fundação Nacional de Artes-Funarte em Brasília. Durante mais de cinco anos atuou, coordenou, dirigiu e produziu o grupo Doutoras Música e Riso em Brasília/DF, com patrocínio da Petrobras, Embaixada da França e Secretaria de Cultura do DF. Desde 2001 ministra oficinas de Iniciação em Palhaçaria, formação para o contexto hospitalar, treinamento técnico para atores, palhaces e direção de números, espetáculos entre outros, dialogando com a capoeira angola, saberes ancestrais e a Cultura Popular para os estudos de palhaçaria. Atualmente desenvolve residência artística no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro, com um grupo de palhaças desenvolvendo processos criativos com pedagogias pretas da Palhaçaria de Terreiro e o treinamento físico do corpo-mandinga para palhaces dançarinos.
Programação das próximas atrações:
- 20 de março (sexta-feira)
19h: Abertura Oficial do Evento
19h30: Espetáculo A Mulher Festa
Antonia Vilarinho
Um espetáculo que celebra a palhaçaria de terreiro como força vital e ancestral. Classificação Livre
Local: Pátio da Secult (Praça Cel. Pedro Osório – Centro, Casarão 2)
- 21 e 22 de março (sábado e domingo)
9 às 18h Oficina: Palhaçaria de Terreiro
Com Antonia Vilarinho
Vivência que integra riso, corpo, ancestralidade e presença.
Atividade gratuita I vagas limitadas.
Local: Otroporto (R. Beniamin Constant, 701a Porto, Pelotas –RS
- 26 de março (quinta-feira)
19h30: Espetáculo As Leves & Discretas + Roda de Conversa
– Teatro Depois da Chuva – Classificação 12 anos.
Após o espetáculo roda de conversa sobre o processo de criação com Dani DalForno, Jandara Rebelatto e a diretora Karla Concá.
Local: Sala Camem Biasoli Rua Alberto Rosa, 117 Centro – Pelotas (Prédio dos cursos de Danca e Teatro/Bloco 3).
- 28 e 29 de março (sábado e domingo)
9h às 18h: Oficina de Palhaçaria Feminina Onde botei meu nariz?
Com Karla Concá Otroporto
Iniciação à palhaçaria feminina
Atividade gratuita I vagas limitadas
Local: R. Beniamin Constant, 701a Porto, Pelotas-RS
As formações são gratuitas e as vagas são limitadas, sendo preferencialmente para mulheres, cis, trans e não binárias.
Serviço
O que?
Ria! Encontro de palhaçaria feminina.
Quando?
Entre os dias 14 e 29 de março
Onde?
Pelotas, em endereços variados, conforme o dia e a atividade.
Este é um projeto financiado pela PNAB municipal com realização do Ministério da Cultura e Governo Federal, a produção e idealização, é de Rizoma Cultural e Morabeza Cultural; com o apoio da Otroporto, Sanep, e Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Pelotas – UFPEL e Pró Reitoria de Extensão e Cultura – UFPEL.







