UFPel apresenta balanço do primeiro ano de gestão e projeta desafios para 2026
“Temos consciência dos limites impostos pelo contexto nacional, mas também da potência que existe quando a Universidade se aproxima das pessoas”, diz a reitora Ursula Rosa da Silva
Ao completar um ano de gestão, em janeiro de 2026, a Administração Central da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) apresenta um balanço das ações realizadas e reafirma o compromisso com a educação pública, gratuita, inclusiva e socialmente referenciada. Mesmo diante de restrições orçamentárias e desafios climáticos e sociais, a Universidade avançou com planejamento, diálogo e responsabilidade pública.
Segundo a reitora Ursula Rosa da Silva, gerir uma universidade do porte da UFPel exige escuta permanente e compromisso coletivo. “Temos consciência dos limites impostos pelo contexto nacional, mas também da potência que existe quando a Universidade se aproxima das pessoas, dos territórios e das urgências do nosso tempo”, destaca.
Com mais de 14 mil estudantes, quase 2 mil docentes, cerca de 1.200 técnicas e técnicos-administrativos e aproximadamente 600 trabalhadores e trabalhadoras terceirizados, a UFPel consolidou, em 2025, uma agenda voltada ao fortalecimento acadêmico, à valorização das pessoas, à ampliação das políticas de inclusão e a investimentos estruturantes, especialmente diante da nova realidade climática.
Universidade próxima e inclusiva
A reaproximação com a comunidade universitária foi um dos eixos centrais do primeiro ano de gestão, com presença nos campi, diálogo com estudantes, servidores e docentes e maior integração com o Campus Capão do Leão. Nesse contexto, a criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe) representa um marco institucional, estruturando políticas de enfrentamento às violências, promoção da equidade racial e de gênero, acessibilidade e permanência estudantil, com reconhecimento nacional.
Também se destacam as ações da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae), que fortaleceu o diálogo com as representações estudantis, promoveu ações de acolhimento e viabilizou a abertura do RU do Campus Capão do Leão para o jantar, atendendo uma demanda histórica da comunidade acadêmica.
Ensino, ciência e desenvolvimento regional
No campo acadêmico, a UFPel avançou de forma integrada no ensino, na pesquisa, na extensão e na inovação. Em 2025, 47 cursos foram avaliados pelo Ministério da Educação (Mec), sendo 28 com conceito máximo e 19 cursos com conceito 4. A Universidade também captou cerca de R$ 28 milhões junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para infraestrutura de pesquisa e realizou a Rua da Ciência, iniciativa de divulgação científica aberta à comunidade.
A extensão universitária ampliou a presença da UFPel nos territórios, com parcerias regionais e projetos voltados ao desenvolvimento sustentável, à cultura e à inclusão social. Na área de inovação, a UFPel obteve reconhecimento nacional em depósitos de patentes e assumiu a presidência do Parque Tecnológico de Pelotas.
Infraestrutura, pessoas e futuro
Mesmo diante das limitações financeiras, a gestão avançou em obras estruturantes viabilizadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (Pac), como a Piscina da ESEF, a Clínica Horizontal de Odontologia e o Novo Hospital Veterinário, além de melhorias em bibliotecas, laboratórios, restaurantes universitários e espaços de convivência. Também foram iniciadas as obras da sede própria do Hospital Escola e entregues novos ambulatórios.
A política de Gestão com Pessoas consolidou ações de valorização, cuidado com a saúde mental e reconhecimento dos servidores. “Cuidar das pessoas que sustentam a Universidade é cuidar do futuro da Instituição”, enfatiza a reitora. A internacionalização também avançou com novos acordos de cooperação e a aprovação do Plano Estratégico de Internacionalização da UFPel 2025–2030.
Expectativas para 2026: impactos dos cortes e defesa da universidade pública
Ao projetar 2026, a reitora alerta para os impactos dos cortes orçamentários previstos, com redução aproximada de R$ 6,4 milhões nos recursos discricionários da UFPel, em um cenário marcado pela continuidade das restrições desde 2019. Segundo Ursula Rosa da Silva, a Universidade já realizou todas as retenções possíveis e não há mais margem para novos cortes sem comprometer atividades essenciais. “Em 2025, fizemos um grande esforço de contenção e eficiência. Em 2026, o cenário tende a ser ainda mais restritivo”, avalia.
A reitora destaca que a dependência de emendas parlamentares não pode substituir políticas públicas estruturantes. “Emendas são pontuais, temporárias e não garantem sustentabilidade. Educação é um projeto de nação, não pode depender de disputas políticas circunstanciais”, afirma
Para ela, é fundamental que o Congresso Nacional, os ministérios e a sociedade reconheçam o papel estratégico das universidades no desenvolvimento do país e dos territórios, bem como suas responsabilidades sociais, evidenciadas na atuação decisiva em momentos críticos, como a pandemia, as enchentes e na gestão da barragem que garante o abastecimento de água potável de Rio Grande, por exemplo. “As universidades públicas demonstram, nesses momentos, o quanto são essenciais para a sociedade. Os impactos dos cortes precisam ser considerados levando em conta essa responsabilidade social”, conclui.
Ao olhar para 2026, Ursula reafirma que os desafios no financiamento da educação superior permanecem, mas ressalta que a UFPel seguirá defendendo a universidade pública e investindo na ciência, na inclusão e no desenvolvimento regional. “A UFPel é patrimônio da sociedade e é com ela que continuaremos a construir nosso caminho”, conclui.







