Diário da Manhã

domingo, 17 de novembro de 2019

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FEIRA DO LIVRO: O suspense ficcional na realidade da escravidão

FEIRA DO LIVRO: O suspense ficcional na realidade da escravidão
01 novembro
17:03 2019

Sábado às 19h, Eliana Alves Cruz autografará “O crime do Cais do Valongo”.  Jornalista e escritora mistura ficção e realidade

Por Carlos Cogoy

 

Romance histórico-policial lançado ano passado

Romance histórico-policial lançado ano passado

           Entre 1811 e 1831, em torno de um milhão de africanos desembarcaram no cais do Valongo no Rio de Janeiro. O espaço era separado do cotidiano da corte, e foi a porta de entrada para milhões de escravizados. No local estavam os armazéns, nos quais os comerciantes negociavam as vidas negras. E o Valongo também ficou marcado como espaço de torturas, e morte daqueles que não resistiam às precárias condições da travessia no oceano. Redescoberto durante obras na região portuária do Rio de Janeiro, Valongo em 2017 foi reconhecido como Patrimônio da Humanidade. Além do intenso apelo simbólico que representa, também aguçou a imaginação de uma carioca. A jornalista e escritora Eliana Alves Cruz, ambientou seu segundo romance no cais do Valongo. A obra, lançada ano passado, é uma mistura de ficção e realidade, pois ela parte de notícias na imprensa do século 19, para criar ficcionalmente acerca de um crime. Trata-se do assassinato do comerciante Bernardo Lourenço Viana, que foi encontrado morto. O episódio, que é narrado pelo mestiço Nuno e a negra Muana, perpassa o romance que inicia em Moçambique e chega ao Rio de Janeiro. E o livro “O crime do Cais do Valongo” será lançado amanhã na 47ª Feira do Livro de Pelotas. Às 19h, Eliana Alves Cruz estará autografando na Praça Cel. Pedro Osório.

ESCRAVIDÃO – Conselheira de cultura do Rio de Janeiro, na modalidade literatura, Eliana Cruz é formada em jornalismo na Universidade da Cidade, e tem especialização em comunicação empresarial na Cândido Mendes. Profissionalmente, teve oportunidade de visitar diferentes países. Recentemente, no entanto, permitiu-se a um antigo projeto, a criação literária. No romance histórico-policial, conforme explica, tanto está o sofrimento da escravidão, em especial num local que marcou a chegada de milhares de africanos, quanto evoca o protagonismo negro, e procura demarcar mais uma contribuição à reflexão e anseio por dignidade. Com nuances de realismo fantástico, a escrita baseou-se em fatos divulgados nas publicações Gazeta de Notícias e Jornal do Commercio. A partir de episódio real, a autora criou uma trama na qual o suspense é a tônica. Uma forma de falar sobre uma memória que não pode ser esquecida, e deve ser refletida para instigar convivência igualitária.

Obra recebeu o Prêmio Oliveira Silveira da Fundação Cultural Palmares

Obra recebeu o Prêmio Oliveira Silveira da Fundação Cultural Palmares

BARRELA é alvejante usado pelas lavadeiras, mulheres negras que, durante gerações, sustentaram suas famílias limpando as roupas dos brancos. Em 2015, o romance “Água de Barrela” recebeu o Prêmio Oliveira Silveira da Fundação Cultural Palmares. Para o livro, Eliana tinha como desafio a trajetória de sua família. Porém, como acontece com muitas das famílias negras, devido à diáspora africana, alguns elos são interrompidos. Ela, no entanto, ressalta que teve o depoimento de uma tia avó, quase centenária, que não se intimidou e contou diversos episódios. Assim, mesclando oralidade e base historiográfica, a escritora criou seu romance de estreia. Ela acrescenta: “O romance se passa na cidade baiana de Cachoeira e os personagens são um menino e uma menina negra, embarcados como escravos no Século 19, da África para o Brasil. A história vai atravessando as décadas até os dias de hoje, tendo como pano de fundo momentos históricos ocorridos no País. O processo para o livro iniciou quando decidi registrar as histórias de uma tia avó, cujos relatos demonstravam a existência de uma forte convivência entre uma família de abastados, a Princesa Isabel e Dom Pedro II, e a nossa família”.

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