Diário da Manhã

quinta, 06 de agosto de 2020

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LIVRO : “A invenção do invisível”

02 julho
09:38 2020

Reclusa há alguns anos por conta de enfermidade, Janete Flores está com novo livro

Por Carlos Cogoy

Janete Flores tem publicado textos durante a quarentena

Janete Flores tem publicado textos durante a quarentena

Artista visual, compositora e autora, a porto-alegrense Janete Flores está radicada em Pelotas há quase trinta anos. E foi por aqui que cursou música na UFPel, lançou dois discos, realizou exposições e publicou livretos. As atividades, no entanto, tiveram de diminuir pois, há três anos, ela foi diagnostica com Esclerose Lateral Amiotrófica (E.L.A.). Conforme explica, até o diagnóstico, foram dois anos para descobrir o que estava acontecendo. Assim, há cinco anos Janete tem padecido da enfermidade que progressivamente vai limitando movimentos. Com dificuldade para caminhar, passa mais tempo na cadeira motorizada. Enquanto para a maioria da população, o ritmo mudou com a chegada da pandemia e o distanciamento social, Janete já vivia reclusa. Porém, foi na quarentena, que ela recebeu um convite. A compositora e intérprete Luciane Casaretto solicitou uma letra. Janete dedicou-se a escrever, e o processo desencadeou novos textos. Em prosa e poesia, as criações foram sendo publicadas na rede social Facebook. O resultado, diz Janete, é mensurado pelas reações dos leitores. Animada, ela planeja reunir as criações e lançar um novo livro.

Prêmio “Preta G” da Ong Anjos e Querubins

Prêmio “Preta G” da Ong Anjos e Querubins

INVENÇÃO – Janete menciona: “Na quarentena voltei a escrever, depois do convite para compor. Houve continuidade e, na grata parceria com Luciane Casaretto, a quem agradeço pelo estímulo e amizade, estou na terceira letra. Assim, alguns textos foram surgindo e fui observando que eu estava iniciando ali um novo livro. São poemas e prosas, desenhos, detalhes de quem faz livros pensando no artesanato. Iniciei no começo de junho, e as postagens têm sido aleatórias. Na temática, questões urgentes como o racismo, a violência contras as mulheres e ao público LGBTQIA, e tudo mais que sofre a pressão  do preconceito e  invisibilidade. Como título ‘A invenção do Invisível’. A ideia é uma edição artesanal e independente. Se não for possível fazer artesanal pela minha atual limitação física, ainda assim será independente. Estou aposentada por invalidez e, por essa razão, não posso concorrer a editais, muito embora, o mínimo que é o montante da minha aposentadoria, não me possibilite uma tiragem  com tranquilidade. Por essa razão a saída é a criação artesanal e independente”.

ESCREVER – Sobre a criação literária, ela acrescenta: “Escrever é um exercício de cidadania, nossa voz, nosso direito de expressão. Além de um ato de resistência e muitas vezes de transgressão”.

MÚSICA – Com 35 anos de música, Janete lançou os discos “Retina” e “Pra ti” – este foi  financiado pelo Procultura, e ainda pode ser adquirido diretamente com a artista, ao preço simbólico de R$10,00. Dedicada à MPB, tocou nos bares nos anos noventa, interrompendo durante período, para retornar em 2008. Na trajetória, integrou o projeto “Mulheres que dizem som”, com financiamento da Caixa Cultural, e turnê em Curitiba. Em 2012 foi uma das idealizadoras do 1º Encontro Nacional das Mulheres da MPB.

EXPOSIÇÕES artísticas intituladas “Fragmentos”, “Sentidos”, “Humanos”, “Respostas”, “Faz canto de ninar para eu adormecer”, “Alma e epiderme”, e “A memória das pedras”, eram acompanhadas de livretos. E Janete recorda que começou a escrever aos catorze anos.

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