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sábado, 10 de abril de 2021

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Ataques racistas contra vereadores estão sob investigação

Ataques racistas contra vereadores estão sob investigação
15 março
09:50 2021

Polícia Civil e Câmara tentam identificar autores das agressões

A Câmara Municipal de Pelotas e a Polícia Civil já começaram a investigar a origem dos ataques racistas promovidos contra cinco vereadores durante e após a transmissão da sessão do dia 25 de fevereiro quando foram votados os projetos da Prefeitura sobre alterações nas licenças prêmio e bonificação para professores que atendem alunos portadores de necessidades especiais em salas de aula regulares. As vítimas dos ataques foram os vereadores César Brizolara, Cesinha (PSB), Rafael Barriga (PTB), Reinaldo Belezinha (PSD), Fagner Feijó (PTB) e Michel Promove (PP).

As mensagens encaminhadas pelas redes sociais dos parlamentares e nos comentários da transmissão nas páginas da TV Câmara e da Câmara de Vereadores já foram repassadas para a polícia. Comentários como “se venderam por um pedaço de carne esses negros”“tapetes da casa grande”“acham que vão participar da festa na casa grande. Ah vão sim, cuidando dos carros, limpando os banheiros e servindo de chacota” foram direcionados aos parlamentares.

Vítimas

Durante as sessões ordinárias da semana passada o vereador Michel Promove (PP) voltou a falar sobre o assunto e defendeu seu direito a opinião. “Tudo o que já contribuímos para a comunidade não tem mais valor por causa de um posicionamento político? Falam em defesa da democracia, na defesa do respeito, mas aí quando suas bandeiras atacam de tal forma, essas pessoas se silenciam. Estou vendo muita incoerência na hora de defender a democracia” afirmou.

Quem também usou o espaço foi o vereador César Brizolara, Cesinha (PSB), que criticou a falta de apoio de partidos que defendem a causa da comunidade negra. “Eu venho pra essa Casa representando várias vozes silenciadas. Muitos falam aqui em coerência e vou cobrar isso de quem diz lutar por essa bandeira, porque com esses cinco negros que foram atacados aqui não se teve coerência nenhuma”, declarou.

O vereador Rafael Dutra, Barriga (PTB) conta que além de ataques nas redes sociais também foi vítima de racismo em um supermercado quando ouviu um casal dizer “olha aí esse negro que votou contra a gente”. Barriga argumenta que parte da comunidade não aceita ver negros em cargos como os que ocupam atualmente. “Infelizmente Pelotas ainda não aceita negros como vereadores, mas somos resistência e vamos seguir lutando por melhorias da nossa cidade”, disse.

O vereador Fagner Feijó (PTB) também lamentou os ataques sofridos e indignado cobrou mais respeito.

Consequências

O presidente da Câmara Municipal, vereador Cristiano Silva (PSDB) disse que já foram indicados os membros para o Conselho de Ética responsável por receber as denúncias dos vereadores e encaminhar a apuração dos fatos e todas as medidas cabíveis.

O presidente ressalta que se algum servidor do Legislativo estiver envolvido responderá processo administrativo e, caso algum detentor de Cargo Comissionado (CC) tiver seu envolvimento comprovado será exonerado.

O líder do governo no legislativo, vereador Marcos Ferreira, Marcola (PTB) se solidarizou com os colegas atacados e ressaltou a falta de apoio dos partidos que defendem a luta contra o racismo. “Precisamos descobrir quem está incitando esses ataques, quem são os envolvidos. O perfil de uma escola pública foi usado, e eu na condição de líder do governo vou cobrar as devidas punições a esses servidores”, declarou Marcola.

Criação de comissão

Durante as sessões ordinárias dessa semana, Marcola informou que vai protocolar um pedido de alteração no regimento interno da Casa para a criação de uma comissão de combate ao racismo.

O parlamentar explica que após os últimos acontecimentos, a Câmara precisa acionar todos os mecanismos necessários para conter esse tipo de ataque. “O que nós estamos apresentando é que a Comissão de Direitos Humanos seja transformada em Comissão de Direitos Humanos e Combate ao Racismo”, comenta Marcola.

A proposta será protocolada ainda essa semana, para entrar em votação na próxima quarta-feira (17), quando ocorrem as três sessões ordinárias da semana.

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