Diário da Manhã

terça, 30 de novembro de 2021

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LIVRO DE HILDA SIMÕES LOPES : As entranhas do abuso emocional nas relações

26 outubro
09:02 2021

Pelotense Hilda Simões Lopes autografa nesta terça-feira às 19 horas

Por Carlos Cogoy

O cotidiano como fonte para o rigor da pesquisa sociológica. E o resultado da pesquisa, instigando a criação ficcional. O diálogo entre sociologia e literatura, delineia o livro “A maçã da rainha má – conversando sobre relações tóxicas e abuso emocional” (200 páginas), autoria da premiada escritora pelotense Hilda Simões Lopes. Conforme divulga, sua mais recente obra, cujo lançamento oficial ocorreu em setembro, apresenta ensaio sobre as relações na sociedade contemporânea. O questionamento percorre as entranhas da violência que prescinde de agressão física. Trata-se das diferentes manipulações e barganhas, que demarcam e oprimem as mais variadas relações, tanto afetivas, quanto profissionais. Em visita à cidade nesta semana, a escritora realiza lançamento nesta terça às 19h. Na Livraria Vanguarda no Shopping Pelotas, ela estará recepcionando o público, para um bate papo sobre a obra. O livro é publicação da editora Literare Books.

RELAÇÕES TÓXICAS – Para a autora, as relações tóxicas e os abusos emocionais, disseminam-se na avançada sociedade tecnológica. Assim, observamos o aumento do sofrimento e doenças desencadeadas por relacionamentos doentios, com “maldades sem marcas físicas por serem sutis e subterrâneas. Conhecemos a violência explícita. Mas existe a perversidade mascarada e imperceptível aos sentidos físicos. Com face de boa madrasta, o predador chega oferecendo uma bela e suculenta maçã envenenada”. Hilda acrescenta: “Predadores usam palavras enviesadas, silêncios opressores, olhares e gestos irônicos, ações e omissões quase intangíveis. Quando a vítima se deprime ou se queixa, recebe rótulos depreciativos e é dita doente e neurótica”.

SUBMISSÃO é um dos principais ingredientes para relações patológicas. “Hoje há um sangrento e infeliz bailado de gente acreditando que ter poder é dominar e submeter, sentir amor é ter uma relação apaixonada e possessiva, e ser alguém humano é ter ‘eu seu bonzinho’ escrito na testa. Nada disso assim é. E nada disso impede a existência de pessoas antropofágicas, mesmo nas relações mais próximas, sejam de trabalho, de amizade ou familiares. Imersas no absurdo, muitas pessoas têm a percepção invertida”, avalia Hilda.

TRAJETÓRIA – Hilda Simões Lopes é bacharel em direito, mestre em sociologia, pesquisadora, e professora na UFPel. Após cursar a Oficina de Criação Literária na PUC/RS, com Antônio Assis Brasil, passou a publicar. Posteriormente, esteve à frente de oficinas, que foram a base para novos autores. “A maçã da rainha má” é o décimo livro da autora que já recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura pelo romance “A superfície das águas”. No mesmo prêmio, também foi finalista com o volume de crônicas “Cuba casa de boleros”. Coautora em livros de contos e poesias, também publicou ensaios de sociologia: “Senhoras e Senhoritas, Gatas e Gatinhas”. Na pesquisa, a evolução do papel da mulher na sociedade, e do abandono à delinquência, uma análise originária de trabalho científico sobre menores no Distrito Federal. Além de um “Manual de criação literária”, lançou o livro de contos “Expulsão”, a novela “Um silêncio azul” e o romance “A anatomia de Amanda”, onde os personagens discutem a obra “A paixão segundo GH de Clarice Lispector”. Em 2017, lançou o romance histórico “Tuiatã” (560 páginas)

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