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Música pela Música e Ojuobá são as atrações do dia 11 no Sete de Abril

Música pela Música e Ojuobá são as atrações do dia 11 no Sete de Abril
10 julho
13:29 2026

Ingressos estão esgotados, mas haverá distribuição de lugares que não forem ocupados, na hora dos eventos

A Sociedade Pelotense Música pela Música (SPMM) e o Ojuobá – Cantos Sagrados e Populares são as atrações da primeira semana de funcionamento do Theatro Sete de Abril, dentro da programação da Semana de Pelotas, na noite do sábado (11). A primeira apresentação, às 19h, é do Ojuobá, um grupo que nasceu do desejo de contribuir para a valorização da religião de matriz africana e sensibilizar o público em geral da importância da luta contra a intolerância religiosa.

Música, dança e poesia são levados ao palco como forma de resistência. Criado em 2016, o grupo foi idealizado pelas professoras e cantoras Dena Vargas e Daniela Brizolara, vice-prefeita de Pelotas. Atualmente composto por 25 pessoas, entre músicos, cantores e bailarinos, o Ojuobá ensaia no Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

O grupo tem em seu repertório cantos da Umbanda e Nação, bem como músicas populares que abordam, em sua composição, temas da religião de matriz africana. Com uma proposta artística que vai além do entretenimento, suas apresentações celebram a diversidade, combatem a intolerância e enfrentam o racismo religioso com arte, ancestralidade e força coletiva.

“Cantar as músicas sagradas de matriz africana no palco do Sete de Abril é transformar a memória em presença. Erguido com a riqueza produzida pelo charque, sustentada pelo trabalho de tantas pessoas negras escravizadas, esse teatro foi, durante muito tempo, um lugar onde elas sequer podiam entrar.

Hoje, ocupar esse palco com os cantos dos nossos ancestrais é um ato de reconhecimento, resistência e reparação simbólica. É fazer ecoar, entre essas paredes, as vozes que a história tentou silenciar e afirmar que a cultura e a espiritualidade afro-brasileiras pertencem, com dignidade e orgulho, a todos os espaços”, reflete Dena.

Na sequência, por volta das 20h, tem início a apresentação da Sociedade Pelotense Música pela Música (SPMM), que deve contar com 40 coralistas e solistas. Ao piano, o maestro Sérgio Sisto acompanhará o tenor João Ferreira Filho, o barítono Roger Nunes e a soprano Adalgisa Zambrano e Renata Gonçalves em trechos de óperas e clássicos populares. No repertório, Va Pensiero, Granada Canção de Agostin Lara, Coro dos Ferreiros, Libiamo da Opera La Traviata de G.Verdi e Aria do Toureiro, da Ópera Carmen, de Bizet, entre outras canções.

A SPMM

Em outubro de 1990, um grupo de apaixonados pelas composições clássicas decidiu organizar um coral e, cinco anos depois, conseguiu convencer Sérgio Sisto, que então com 30 anos já exibia currículo invejável como instrumentista, cantor lírico e regente e tinha formação concluída em Hartford, Connecticut (EUA), a assumir a regência. Natural de Porto Alegre, Sisto contracenou com estrelas internacionais do canto lírico no Brasil e no exterior e recebeu o título de pelotense honorário.

Em 1996, a SPMM foi declarada de utilidade pública pela Lei Nº 4.094. A SPMM tem aprovado projetos nas leis de incentivo à cultura estadual e federal, e recebeu dois prêmios da Funarte-MINC, que proporcionaram a formação da orquestra e a reforma e programações na sede atual, alugada, localizada na rua Félix da Cunha, 952, no Centro de Pelotas, espaço multiuso que desde 2008 é conhecido por Fábrica Cultural. Em 2025, a SPMM recebeu o título de ⁠Patrimônio Imaterial pela Lei nº 7.486/2025 da Câmara Municipal de Pelotas; a ⁠Comenda Destacada Contribuição Para a Cultura de Pelotas, da Associação Pelotense de Letras, e participou do Festival TriÓpera, no Teatro São Pedro (Porto Alegre), à convite da Companhia de Ópera do RS (CORS). O Coro permanente é formado por aproximadamente 60 vozes, com cantores de 15 a 82 anos. A SPMM costuma realizar apresentações com músicos e cantores de fora convidados, como o Gala Lírica.

Ingressos

Responsável pela gestão do Theatro Sete de Abril desde 1979, a Prefeitura de Pelotas preparou uma programação gratuita e aberta ao público, de 7 a 12 de julho, para celebrar o retorno do teatro, dentro da Semana de Pelotas. Os ingressos já estão esgotados, porém haverá nova distribuição momentos antes de cada apresentação, para preencher espaços por ventura vagos. O Theatro Sete de Abril fica na Praça Coronel Pedro Osório, 160 – Centro.

Preto de Sapato leva cultura negra ao Sete no dia 12

No domingo (12) tem Preto de Sapato no Theatro Sete de Abril. O espetáculo musical é uma manifestação da identidade e memória da cultura negra local e celebra a ancestralidade e as raízes negras de Pelotas/RS. O show integra música, dança, performance e contação de histórias. A apresentação começa às 17h, dentro da Semana de Pelotas, que nesta edição celebra os 214 anos do município e a reabertura do Sete de Abril, após 16 anos.
Com influências do samba, jazz, semba – tradicional gênero musical e de dança de Angola, antecessor direto da kizomba -, world music e tambores africanos, o projeto resgata a riqueza da música popular negra brasileira e latina, marcada pelas raízes africanas, e homenageia as memórias da cultura negra gaúcha, especialmente da região do arroio Pelotas. Resultado de 20 anos de trajetória de Eduardo Freda e da banda Quintal de Sinhá, o projeto apresenta 10 canções autorais de Freda e destaca o Atabaque-Rei – o tambor de Sopapo, que passou a ser considerado Patrimônio Imaterial de Pelotas em 13 de agosto de 2021, por meio da Lei Municipal nº 6.915/2021.
“Preto de Sapato funde o orgânico e o digital, passado e presente, tornando-se um marco na preservação e renovação da herança afro-gaúcha. É uma afirmação da força transformadora da música e da arte na construção de um futuro antirracista, protagonizado por corpos e saberes negros”, pondera Freda.
Em 2021, o projeto Preto de Sapato foi lançado com financiamento da Fundação Palmares. Em 2023, participou do Festival Cabobu (Natura Musical) e, em 2025, integrou o espetáculo Ecos das Charqueadas: Entre Ritmos e Raízes, no Festival Internacional Sesc de Música.
Trajetória
Com 14 anos de experiência, o projeto musical é formado pelos músicos Eduardo Freda (compositor), Davi Batuka (produtor e percussionista) e Rogers Lemos (guitarrista), ex-integrantes da banda Quintal de Sinhá. Lançaram os EPs Raízes e Coração (2011) e Roda do Tempo (2017) e, em 2014, foram finalistas no Festival WebFestValda no Circo Voador, no Rio de Janeiro. A banda também se apresentou no Primavera Cultura Livre (2015) e Ponto a Punto (2016). Atualmente, conta também com Emily Passarinho (voz, performance e dança) e Gabriel Percussamba (percussão).

PROGRAMAÇÃO

Sexta-feira (10) no Theatro Sete de Abril

15h – Orquestra Estudantil Municipal de Pelotas – concerto “Música que forma, transforma e celebra!” (música)

Sexta-feira (10) no Mercado Central

18h – Banda Big Band Democrata (música)

19h30 – Amigos do Sereno (música)

Sábado (11) no Theatro Sete de Abril

19h – Grupo Ojuobá – Cantos Sagrados e Populares (música)

20h – Sociedade Pelotense Música pela Música (SPMM) (óperas e clássicos populares)

Domingo (12) no Theatro Sete de Abril

17h – Preto de Sapato (música)

*A programação está sujeita a alterações.

 

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