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Valder Valeirão cria trajeto poético que atravessa a cidade

Valder Valeirão cria trajeto poético que atravessa a cidade
14 julho
16:42 2026

Intervenção artística une literatura, fotografia e paisagem urbana para transformar o cotidiano em uma experiência de contemplação e descoberta

Imagine caminhar através de um trajeto conduzido por poemas afixados em postes nas ruas da cidade. É dessa forma que o projeto artístico Outonos na Rua, criado por Valder Valeirão, transpõe a narrativa poética do seu livro de estreia, para o espaço urbano. O percurso de três quilômetros começa na esquina das ruas Dona Mariana com Benjamin Constant e prossegue até a XV de Novembro, na região portuária e atravessa o centro da cidade, alcançando a Avenida Bento Gonçalves. Os mesmos postes que cumprem o papel de iluminação servem de suporte para 93 poemas. “A leitura deixa de acontecer entre as páginas para acontecer entre esquinas, calçadas e cruzamentos, estabelecendo um diálogo direto entre literatura e espaço urbano”, destaca o autor do livro “Outonos no chão”, publicado em 2018.

O poeta, designer e artista visual explora os existencialismos, afetos e inquietudes humanas na literatura. O convite para que os textos encontrem seus leitores de uma forma acessível e gratuita é um desejo antigo. Segundo ele, ao deslocar um livro para as ruas, a intervenção converte o ato da leitura onde cada um pode criar seus caminhos. Para Valder, um dos fundadores do Grupo Mandinga Arte-Cultura, a cidade não funciona como pano de fundo, mas como parte ativa da experiência poética, atribuindo novos significados tanto aos poemas quanto à paisagem cotidiana. “Um poema lido por alguém que não saiu de casa procurando poesia, por si só, já me faz realizado”, resume.

Repositório digital

Para além das ruas, a intervenção é registrada em mais de 400 fotografias onde o autor documenta o encontro entre a poesia e a cidade. As imagens constituem uma nova camada do projeto, disponível no perfil @outonosnarua, do Instagram. Ali os poemas ganham imagens capturadas no entorno do local onde os poemas estão fixados.

Essa espécie de simbiose entre o mundo real e o virtual, surgiu da ideia de ter um repositório digital. Uma forma de preservar o conteúdo do livro a longo prazo e expandir sua abrangência. “Dessa maneira as ruas, casas, janelas, portas, grades, ladrilhos hidráulicos, paralelepípedos deixam de ser apenas cenário e se tornam protagonistas”, destaca Valder. O espaço virtual permite um maior alcance dos textos, transformando o que antes era uma experiência localizada em cartografia poética. “Livro, cidade e imagem passam a existir como uma única obra”, finaliza.

Sobre o autor

A trajetória de Valder Valeirão tem reconhecimento pela sua atuação como designer e fundador do escritório Nativu Design (2006–2022). Entre os reconhecimentos estão o Prêmio Açorianos de Projeto Gráfico pela capa do CD Doze cantos ibéricos e uma canção brasileira, de Martim César e Marco Aurélio Vasconcellos (2018). Sua produção investiga o encontro entre imagem e palavra, articulando design, literatura, fotografia, música e audiovisual em projetos que transitam entre a criação artística, a memória e a cultura. É autor do livro Outonos no Chão (2018), cofundador do coletivo Mandinga Arte-Cultura e cocriador junto com Geovani Correa da série de documentários poéticos Poesia das Coisas – premiada pela Secult de Pelotas e Funarte – e da websérie Lugares do Porto. Desde 2023, atua como coordenador de comunicação e diretor de arte na OTROPORTO Indústria Criativa e na Sétimo Plano Produtora.

Serviço:

Projeto Outonos na Rua

O que?

93 poemas em 30 quarteirões

Onde?

Trajeto da Benjamin Constant até a XV de Novembro, de lá, até a Avenida Bento Gonçalves.

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