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segunda, 17 de janeiro de 2022

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Projeto “Mais Juntas” da UFPel lança chatbot para que mulheres possam identificar violência psicológica

26 novembro
14:37 2021

O projeto de extensão Mais Juntas, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), lançou nesta quinta-feira (25) a Ada Bot, uma chatbot que “conversa” pelo WhatsApp para auxiliar mulheres a identificar o nível de violência psicológica em um relacionamento e orienta sobre onde e como procurar ajuda. Basta apenas que a pessoa envie “Oi” para o número (53) 99176-6604 e um bate-papo acolhedor e simples começa. O serviço é gratuito.

A partir de 19 perguntas, como “seu parceiro grita com você?” e “seu parceiro quer escolher suas amizades?”, que levam em torno de dez minutos pra serem respondidas, a chatbot consegue verificar o nível de violência contido em um relacionamento. E, mais do que isso, indica modos de encontrar auxílio, que vão desde orientações jurídicas e rede de apoio on-line, como o projeto Justiceiras até Centro de Referência de Atendimento à Mulher e Grupo Autônomo de Mulheres de Pelotas (Gamp). Sua abrangência é nacional, mas inicialmente focada na região sul do Rio Grande do Sul.

De acordo com a coordenadora do Mais Juntas e professora do Centro de Engenharias da UFPel, Larissa Medianeira Bolzan, quando há situação de violência, mesmo que haja acolhimento, a vítima pode ter dificuldade de falar a respeito ou ainda vergonha de se abrir com a família ou amigos. Assim, pelo bate-papo no WhastApp, essa mulher terá a oportunidade de responder as questões sozinha, em sua privacidade, pelo celular. “A Ada pergunta como se fosse uma amiga”, explica. Se a mulher não puder dar continuidade à conversa, pela presença próxima do companheiro ou de outras pessoas, o bate-papo pode ser retomado posteriormente.

A Ada Bot é a primeira tecnologia social criada pelo projeto Mais Juntas. A chatbot foi co-criada em parceria com o Centro de Referência de Atendimento à Mulher Professora Cláudia Hartleben, Grupo Autônomo de Mulheres de Pelotas (Gamp), Emancipa, Secretaria Municipal de Assistência Social e Gurias Tech. A tecnologia foi desenvolvida entre abril e agosto deste ano, e seu lançamento coincide com a programação de 21 Dias de Ativismo contra a violência de gênero em Pelotas e região Sul.

Segundo a coordenadora, uma tecnologia social é uma inovação aberta, de caráter sustentável, capaz de preencher um vazio social. “O projeto surge de uma necessidade da comunidade, que é o enfrentamento da violência de gênero”, faz coro a coordenadora adjunta do Mais Juntas, Greici Maia.

LançamentoInaugurando a nova tecnologia, a reitora da UFPel, Isabela Andrade, enviou um “Oi” para a Ada Bot. Na ocasião, a cantora Xana Gallo apresentou canções, dentre elas “Você não manda em mim”, de autoria de Marília Mendonça e Maiara & Maraísa, para evidenciar, de forma didática – mas não menos cruel – o que é a violência psicológica.

A reitora declarou que não cansa de elogiar, parabenizar e agradecer o projeto Mais Juntas pelas inúmeras iniciativas, às quais se soma a Ada Bot. “Para nós é de suma importância ter ações como essa, para combater esse problema que infelizmente ainda existe na nossa sociedade. Que tenhamos mais iniciativas como essa”, conclamou.

O secretário municipal de Assistência Social, José Olavo Passos, salientou que a situação da violência contra a mulher é caótica e extremamente grave. Citou as ações que o órgão vem realizando para combater o problema, inclusive parcerias e colaborações como a que deu origem à Ada Bot. “É preciso se aproximar da Universidade, da comunidade, de órgãos da sociedade civil para mostrar que a violência contra a mulher não é aceitável nem admissível. É um preconceito difícil de mexer, mas no dia a dia a gente vai trabalhando nisso, para que o ser humano seja respeitado. Trabalhos como esse é que fazem a sociedade mudar”, pontuou.

Ampliando o debateA intenção do projeto é levar a Ada Bot às escolas, orientando tanto professores quanto estudantes. Na avaliação da professora Larissa, a ação vai ampliar o debate sobre temas como pobreza menstrual e violência psicológica, oportunizando que mais pessoas possam procurar ajuda.

Outras informações sobre a iniciativa podem ser obtidas no perfil da Ada no Instagram ou ainda no Instagram do Mais Juntas.

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