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LOBO APOSTA EM GAVILÁN : Schneider contrata técnico paraguaio e dispensa comando do futebol

23 novembro
08:57 2018

Surpresa no Pelotas. O paraguaio Diego Gavilán, 38 anos, é o treinador contratado para comandar a equipe no Campeonato Gaúcho. Mais do que isso: Manoel Nunes (Neca) e Rafael Farias não respondem mais pelo departamento de futebol. O presidente Gilmar Schneider afirmou ontem em entrevista coletiva que o clube necessitava de um “choque de gestão”, depois do fracasso na Copa Wianey Carlet.

Diego Gavilán – discípulo de Muricy Ramalho – terá primeira oportunidade de treinar time brasileiro

Diego Gavilán – discípulo de Muricy Ramalho – terá primeira oportunidade de treinar time brasileiro

“Neste momento, no meu entendimento, que em função dos resultados – primeiro, a gente tinha o objetivo de subir, e nós subimos; depois de alcançar uma competição nacional e a gente não alcançou, porque o grupo se desmobilizou. Então a gente precisava dar um choque de gestão”, disse o dirigente.

Diego Gavilán terá a primeira oportunidade no futebol brasileiro. Até agora ele só comandou equipes paraguaias: Olímpia de Itá, Independiente, Deportivo Capiata, Trinidense e Sol de América. O ex-volante se considera discípulo de Muricy Ramalho – por quem foi comandado no Internacional em 2003 e 2005. O Pelotas contratou também Marcelo Sangaletti para ser o excetivo de futebol e Felipe Endres para ser o auxiliar técnico. Roberto Recart seguirá como responsável pela preparação física.

“Buscando pessoas de fora (do Rio Grande do Sul), talvez a gente consiga trazer nomes (jogadores) que sejam interessantes para o Pelotas e que a gente consiga fazer um time forte, que o grande objetivo do nosso torcedor”, afirmou Schneider. A comissão técnica se apresenta no dia 1º de dezembro na Boca do Lobo.

Neca confessa surpresa

Manoel Nunes (Neca) diz que foi surpreendido com a decisão do presidente Gilmar Schneider de afasta-lo (junto com Rafael Farias) do comando do futebol do Pelotas. “Havia alguns indícios desde o começo da noite de ontem (quarta-feira), mas eu me negava a acreditar”, disse o ex-vice de futebol nestaquinta-feira.

Ele revelou que negociou com Luís Carlos Winck até à noite de quarta e que se reuniu com o presidente para falar do assunto por volta das 19h. “Fiquei chocado, porque antes, às 18h, ele já havia pedido a marcação de uma entrevista coletiva para anunciar as mudanças”, frisou Neca.

“Só fiquei sabendo da contratação do Gavilán à noite, depois que o Sangaletti, lá em São Paulo, publicou alguma coisa na rede social. O presidente tem o direito de tomar as decisões que quiser, só não concordo com a maneira que foi. Isso é inamissível”, afirmou.

Neca informou que, na segunda-feira seguinte à eliminação na Copa Wianey Carlet, ele se reuniu com Schneider e colocou seu cargo à disposição. Mas foi prestigiado no comando do futebol. “Tem uma pessoa no Pelotas, que é gremista, que, nos jogos importantes, está sempre na Arena. Ele quer espaço no futebol”, criticou sem revelar nome. “Mas a vida segue. Não nasci diretor do Pelotas, eu nasci torcedor do Pelotas”, concluiu.

Escolha

Sangaletti: executivo

Sangaletti: executivo

Gilmar Schneider descarta o termo aposta para expressar convicção no acerto de trazer Diego Gavilán para ser o técnico do Pelotas em 2019. “É uma escolha pelo jogador que ele foi, pelo tipo de jogador que ele foi, e eu me assessorei de diversas pessoas que conhece o trabalho dele. É uma novidade para a nossa região, mas diante das opções que nós tínhamos de mercado, e também por questão de valores, eu acho que nós fizemos uma bela contratação”, afirma o presidente.

Para Schneider, o fato de Gavilán estar já algum tempo fora do futebol gaúcho (jogou no Grêmio em 2007) não será problema. “O auxiliar dele (Felipe Endres) conhece bem o futebol daqui (trabalhou na base do Grêmio). Eu penso que contratei o treinador certo”, completa.

Futebol

A saída dos responsáveis pelo departamento de futebol – Manoel Nunes e Rafael Farias – se deu por causa da desmobilização do grupo durante a disputa da Copa Wianey Carlet. Essa é a justificativa apresentada por Gilmar Schneider. “Nós não poderíamos entrar no Gauchão com a desmobilização do final desta competição. Houve uma acomodação, houve um relaxamento. O que eu faço: troco todos os jogadores ou mudo a gestão do futebol?”, questiona.

Schneider irá liderar um grupo no comando do futebol, com a participação dos atuais vice-presidentes Marcelo Neves e Manoel Soares; e dos profissionais Roger Bauer (gerente de futebol), Álvaro Prange (gerente administrativo) e Sangaletti (executivo de futebol).

Schneider fica à frente do futebol, com essas medidas surpreendentes

Schneider fica à frente do futebol, com essas medidas surpreendentes

Arrojada e arriscada

O departamento de futebol definiu o perfil do técnico para o Gauchão: conhecedor do futebol estadual e do grupo do Pelotas. E daí? Não seriam os homens do futebol que decidiriam quem seria contratado.

Eles (Neca e Rafael Farias) trabalharam até a última hora para tentar contratar o técnico de preferência: Luís Carlos Winck. Ainda na quarta-feira, o vice-presidente de futebol demonstrava confiança no “poder de convencimento” para trazer o treinador preferido. Saudava a hipótese do iminente acerto com Winck. Nesse momento é provável que Gavilán já estivesse certo.

O presidente (no caso, Gilmar Schneider) tem o direito e o poder de escolher os cargos de confiança em sua diretoria. Só que não cola a explicação de que a saída do departamento de futebol tem relação com o fracasso do time na Copa Wianey Carlet. Se fosse isso, a demissão teria que ocorrer imediatamente à eliminação. Os dois responsáveis pelo futebol teriam que sair juntos com Paulo Porto. Neca e Rafael Farias ficaram planejando o Pelotas de 2019 (acreditavam que estavam planejando).

Saí o departamento de futebol e mantém 20 ou 21 jogadores da campanha na Copinha. A responsabilidade pela desmobilização na Copa Wianey Carlet cai em cima do departamento de futebol, porque o técnico não foi demitido. Porto se demitiu. O intrigante é porque demorou tanto tempo para que houvesse essa conclusão. Por que deixar alguém acreditar que está no comando, iniciando uma nova etapa, quando está na verdade é de partida?

É uma cartada decisiva e arriscada de Schneider. É aposta no desconhecido: Diego Gavilán. O presidente vai levar sozinho o peso da responsabilidade pelo futebol: seja da vitória ou da derrota.

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